quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A PRIMEIRA FOTO!

Jornal do Brasil fez o primeiro registro fotográfico do Vasco ao final do século XIX (Atualizado em 06/06/2015 - clique aqui)


   Em setembro de 1900, último ano do século XIX, o Jornal do Brasil publicava o primeiro registro fotográfico do Club de Regatas Vasco da Gama, marcando para sempre a memória vascaína.

    Era a época de comemoração do segundo aniversário do club.

   O pic-nic festivo foi realizado na Ilha do Governador - domingo, 16 do citado mês, onde festejaram os primeiros sócios fundadores e atletas, devidamente uniformizados, acompanhados de seus familiares.

   A família vascaína para lá se dirigiu através da barca Sexta que saiu do antigo Cais Pharoux, na Praça XV.

   Interessante notar que a guarnição da baleeira Vascahina, vitimada posteriormente em um trágico naufrágio nas águas revoltas da Guanabara, ainda utilizava-se do uniforme com a faixa diagonal a tiracolo no sentido ombro direito. No entanto, em uma das fotos, já havia atleta uniformizado que abotoava a faixa a tiracolo como atualmente, a partir do ombro esquerdo. Isso tudo ao final no século XIX.

  Seguem abaixo as fotos históricas de um Vasco recém nascido, que já havia passado por sua primeira cisão após a mudança de sua garagem-sede na Ilha das Moças para a Travessa do Maia, no então Largo do Passeio, de onde despontou para a glória!





*Vascainidades:

"Como estava anunciado, realizou-se hontem a esplendida festa projectada para solemnizar as victorias alcançadas na regata do Campeonato e commemoração do segundo anniversario do club.

 Ás 11 horas da manhã a barca Sexta, garridamente empavezada, desprendeu-se das amarras da ponte Ferry e singrou em direcção á corveta Sarmiento, onde a directoria do club foi convidar a respectiva distincta officialidade para tomar parte no pic-nic projectado.

 A directoria foi recebida cordialmente por parte dos illustres representantes da marinha argentina, que foi calorosamente brindada pelo Sr. Luiz Vianna, 1.º secretário do club, sendo esse brinde corrrespondido pelo capitão Gard, immediato do Sarmiento, que saudou o Club Vasco da Gama.

 Em seguida a barca Sexta poz-se de novo em movimento, levando a seu bordo os guardas-marinha argentinos Alberto Ibarra Garcia, Angel N. Caminos e Luiz Segurra.

 A banda de infantaria de marinha ao passar a barca pela Sarmiento executou o hymno argentino, sendo respondido pela banda do Bello vaso de guerra com o hymno nacional.

 Á 1 hora da tarde chegou a Sexta á ilha do Governador, onde na residencia do Sr. Antonio José de Souza Gomes, foi servido lauto almoço, trocando-se por esta occasião vários e enthusiasticos brindes.

 Entre elles pudemos notar o do Sr. Baldomero Fuentes á marinha argentina e do guarda-marinha Angel Caminos á imprensa brazileira.

 A este brinde agradeceu o Sr. Julio Barbosa, representante d'O Paiz e da Semana Sportiva.

 O 2.º Tenente Mario Gama saudou a officialidade do Sarmiento e o Sr. Julio Barbosa a imprensa platina.

 Findo o almoço, iniciaram-se as dansas que animadamente se pronlongaram até á tarde.

 A gentil senhorita Adelina Monteiro Castro, coadjuvada pelo galante menino José Teixeira, esmolou para as vítimas da secca do Ceará, angariando a importância de 252$, que foi entregue ao Sr. Baldomero, do Jornal do Commercio, para dar-lhe o devido destino.

 A barca Sexta, chegou a esta cidade ás 8 horas da noite.

 Pouco depois por diante do nosso escriptorio os sócios do Club Vasco da Gama, acompanhando um bello grupo de gentis senhoritas e precedidos da banda de musica de infantaria de marinha, passaram alegremente, erguendo vivas e enviando-nos amaveis saudações, que agradecemos." (O Paiz – 17/09/1900)

*texto originalmente publicado em 30/11/2012 - 11h35m no semprevasco.com

A PRIMEIRA ESTRELA!

Uma Estrela de Ouro, Símbolo das Vitórias do Vasco



   Até o ano de 1945, o Club de Regatas Vasco da Gama já detinha gloriosos títulos, mas seu pavilhão era o mesmo desde a sua fundação: campo negro, representando os mares desconhecidos; faixa diagonal branca iniciada do topo da tralha (da bandeira) até o canto inferior, representando "O Caminho para as Índias", desbravado pelo heróico Almirante.

   E finalmente a Cruz de Malta (assim assinalada por uma designação heráldica que era de uso comum a todos desde antes da fundação do club no final da última década do século XIX, e que em verdade representa a Cruz de Cristo, símbolo da mesma Ordem que alçou os mares nas conquistas portuguesas).

   O jornal "A Gazeta de Notícias - nos Esportes", na sua edição de 22 de dezembro de 1945, assim registrou a história do surgimento da "Primeira Estrela!":


"A ESTRÊLA DE OURO", SÍMBOLO DAS VITÓRIAS

   Os que foram anteontem ao estádio de São Januário assistiram a uma cerimônia brilhante: o pavilhão do Vasco, aberto num dos ângulos daquela praça de desportos, apresentava um pouco acima da cruz de malta uma estrêla de ouro. A solenidade era nova para o público. Dois possantes holofótes despejavam jôrros de luz sôbre a bandeira do clube campeão de mar e terra. A estrêla era o sinal, traduzia um movimento esntusiástico do "Expresso da Vitória".

   Por isso procuramos o "Cordinha". Êle não se fêz de rogado.

Artur da Fonseca Soares - O "Cordinha"

UMA IDÉIA FELIZ DO DR. JOSÉ DO AMARAL OSÓRIO

   E Artur da Fonseca Soares, dá-nos, então, os informes sôbre o acontecimento:

  - Pouca gente compreendeu a significação daquela estrêla colada no pavilhão do Vasco. Ela simbilizará a fôrça das nossas conquistas no desporto brasileiro. Grande número de sócios do Clube pedirão ao Conselho Deliberativo que seja oposta uma estrêla de ouro no pavilhão para marcar o título de campeão invicto de futebol e assinalar o campeonato de remo, como ainda o ano de 1945, das maiores glórias cruzmaltinas. A idéia é do Dr. José do Amaral Osório e a iniciativa do "Expresso da Vitória", que possui em Ciro Aranha, sua figura máscula e muito tem realizado com auxílio de João de Lucas, e Marçal de Almeirda. A campanha do "Expresso da Vitória" vai para o meio milhão de cruzeiros. Essa importância será distribuída pelos jogadores campões citadinos.

José do Amaral Osório

   Há ligeira pausa. E Artur da Fonseca Soares pede-nos para tornar público os agradecimentos do "Expresso da Vitória" pela atenção das autoridades militares, principalmente do Coronel Sena, que tem distinguido o Vasco com as melhores atenções. Os holofótes que abrilhantaram a cerimônia de anteontem foram cedidos por ilustres oficiais do Exército."

   Para que se tenha noção do acontecido e de sua importância naquela noite de quinta-feira - 20 de dezembro de 1945, o júbilo vascaíno foi antecedido por uma magnífica carreata desde o centro da cidade até as dependências do Estádio Vasco da Gama, que assim glorificou para sempre na memória vascaína aquele fim de ano do Expresso da Vitória!

*texto originalmente publicado em 25/09/2012 - 21h55m no semprevasco.com