quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A PIONEIRA EXCURSÃO VASCAÍNA À EUROPA EM FOTOS!


Há 85 anos, a equipe dos Camisas Negras desembarcava no Rio após pioneira e bem sucedida turneé pela Europa




A Vitória do Pioneirismo

Foi do Vasco o privilégio de ser o primeiro clube carioca a excursionar pela Europa. O pioneirismo e a inexperiência não impediram que o clube jogasse com os melhores de Portugal e Espanha, levantando bem alto o nome e o gigantismo do Vasco.

Em terras portuguesas a delegação foi celebrada e homenageada com entusiasmo por onde passou. Destacados jornais abriram espaço em suas colunas esportivas para elogiar o melhor do futebol brasileiro, reverberando a superior qualidade do jogo empreendido pelo Vasco.

Essa iniciativa marcou o início do fim do amadorismo no futebol. Jaguaré, "o Dengoso", e Fausto, "o Maravilha Negra", deixaram o Vasco para jogar profissionalmente pelo Barcelona.

Mostraremos a seguir a síntese e as imagens de mais esta epopeia histórica que só o Club de Regatas Vasco da Gama poderia promover!




A Organização da Comitiva

Sob a presidência do senhor Raul da Silva Campos, a delegação estava assim organizada:

JOGADORES - Jaguaré Bezerra Vasconcelos, Waldemar Sá Couto Guimarães (goleiros); Luiz Gervazoni (Itália), Alfredo Brilhante (zagueiros); Alfredo Tinoco, Fausto dos Santos (o Maravilha Negra), Sebastião Paiva Gomes (Molla), Luiz Ferreira Nesi, Antonio Castro Reis (Rainha) (meio campistas). Daniel Augusto Magdalena (Bahianinho), Carlos Paes (84), Moacyr Siqueira de Queiroz (Russinho), João Ghisoni, Mario Mattos, Sebastião Sant'Anna (atacantes); todos do Vasco, além de Fernando Giudicelli, do Fluminense; Nilo Murtinho Braga, Carlos Carvalho Leite e Benedicto de Moraes Menezes, do Botafogo, que integraram a delegação de comum acordo com a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos) - entidade a que estavam filiados os clubes que disputavam o campeonato de futebol amador do Rio de Janeiro.

DIRETORES: Capitão Orlando Eduardo da Silva (diretor técnico); Eduardo da Fonseca Filho (tesoureiro), José da Silva Rocha "Rochinha" e Harry Welfare (treinador).




Resultados dos Jogos Realizados

Espanha - Barcelona - Estádio Las Corts
28/06/1931 - Barcelona 3 x 2 Vasco da Gama (Nilo e Carvalho Leite)
29/06/1931 - Barcelona 1 x 2 Vasco da Gama (Carvalho Leite e Russinho)





Espanha - Vigo - Estádio Municipal de Balaídos
05/07/1931 - Celta 2 x 1 Vasco da Gama (Russinho)
07/07/1931 - Celta 1 x 7 Vasco da Gama (Bahianinho - 3 gols, Russinho, Nilo - 2 gols, e Mario Mattos)




Portugal - Lisboa - Estádio do Lumiar
12/07/1931 - Benfica 0 x 5 Vasco da Gama (Mario Mattos - 2 gols,  Russinho - 2 gols e Nilo)

Portugal - Lisboa - Campo das Amoreiras
15/07/1931 - Combinado Benfica, Vitória e Casa Pia 2 x 4 Vasco da Gama (Russinho - 3 gols, e Nilo)




Portugal - Porto -  Estádio do Amial
22/07/1931 - Porto 1 x 3 Vasco da Gama (Russinho, Carvalho Leite e Nilo)
26/07/1931 - Porto 2 x 1 Vasco da Gama (Carvalho Leite)



Portugal - Lisboa - Campo das Amoreiras
30/07/1931 - Vitória 1 x 1 Vasco da Gama (Carvalho Leite)

Portugal - Lisboa - Campo Grande
02/08/1931 - Sporting 1 x 4 Vasco da Gama (Nilo - 2 gols, Carvalho Leite e Ghisoni)

Ainda em meio a festas e homenagens proporcionadas pelos portugueses nas localidades por onde a delegação passou, tiveram especial aspecto as exibições ocorridas em Ovar e Póvoa de Varzim, justamente terras dos ex-presidentes Francisco Marques da Silva e Raul da Silva Campos, onde o Vasco aplicou as seguintes goleadas: 9 a 2 contra o combinado dos Poveiros-Boa Vista (22/07/1931) - gols de Tinoco (3), Benedicto (3), Santa'Anna (2) e Fernando; e 6 a 2 contra a Associação Ovarense (24/07/1931), gols de Russinho (3), Nilo, Bahianinho, Carvalho Leite.



No total de 12 partidas, o Vasco obteve 8 vitórias; 1 empate e 3 derrotas, somando 45 gols pró e 18 contra.


O Desembarque e a Exibição Cinematográfica da Excursão

No dia 16 de agosto de 1931, a delegação vascaína desembarcava no Cais Mauá pelo mesmo navio em que viajou para a Europa, o Arlanza. Milhares de vascaínos foram recepcionar a equipe que tanto sucesso teve em solo estrangeiro. 








A envergadura de tal feito e o enorme interesse proporcionou a realização do cine-noticiário da excursão, que registrou todos os jogos realizados pelo Vasco, sendo exibido no cinema Eldorado!




*Imagens fotográficas gentilmente cedidas por José Augusto Campos
Registro jornalístico Diário de Notícias e Correio da Manhã (acervo da Biblioteca Nacional)

Texto: Henrique Hübner
Diretor do Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama

quinta-feira, 28 de abril de 2016

HÁ 73 ANOS, FUTEBOL DO VASCO VESTIA-SE COM O SEU UNIFORME DE HONRA



Jornal "A Noite" de 29 de abril de 1943 destacou o 4.º gol vascaíno
assinalado por Isaias, à vista do goleiro Oberdam


Foi no dia 28 de abril de 1943 que se deu o primeiro registro fotojornalístico da camisa do remo no futebol do Vasco, negra com sua tradicional faixa a tiracolo branca.

Com ela o Vasco venceu o Palmeiras por 5 a 4 em pleno Pacaembu! Em junho de 1943, ainda a envergou mais uma vez, contra o São Paulo, antes da oficialização perante a FMF.


Jornal "A Noite" de 6 de junho de 1943


Criada em 16 de julho de 1899, os atletas do remo somente podiam vesti-la nas regatas oficiais ou então para os "quadros de honra" dos campeões.

Em 1943, o comando do clube estava em mãos do grande presidente Cyro Aranha, e a direção técnica do futebol sob o controle do uruguaio Ondino Viera. Iniciava-se a "Era do Expresso da Vitória".


Ondino Viera, sob a social do Estádio Vasco da Gama - 1945 (revista O Cruzeiro)


Quando assumiu, Ondino estabeleceu, juntamente com o comando do clube, que o Vasco passaria a usar preferencialmente o uniforme noturno de verão, a conhecida camisa branca com faixa a tiracolo negra, criada em dezembro de 1937:

 "... quando, levado por motivos reais, obtive permissão da diretoria, para alterar o uniforme, mais de uma pessoa me disse que, agora sim, se podia confiar. Ora, eu mudei a cor da camisa por um motivo real, palpável e não psicológico. Vivemos num clima tropical... a roupa escura absorve mais e concentra raios solares, predispondo o organismo a maiores cansaços, em face do calor. Foi considerada a questão, de fundamental importância, que pleitei e obtive a alteração do uniforme do Vasco. Nada de superstição..." (Ondino Vieira em entrevista para o jornal "Diário da Noite" de 10 de julho de 1944)

O propósito era óbvio, evitar o desgaste físico dos jogadores sob o sol e o calor tropical de nossa cidade. Era o fim dos "Camisas Negras".

A camisa inteiramente negra em nosso clube - sem a faixa a tiracolo - sempre foi o seu segundo uniforme desde a fundação. Utilizada principalmente nas atividades internas e fora das competições oficiais do remo, teve no futebol lugar destacadíssimo durante os seus primeiros vinte e sete anos.

Ora, não havia sentido abandonar o tradicional negro em favor unicamente do uniforme branco. E como só o vascaíno poderia fazê-lo, elevou oficialmente a camisa de honra das regatas como uniforme titular, após requerimento aprovado junto à Federação Metropolitana de Futebol, a 10 de junho de 1943.


Nota publicada no jornal "Correio de Manhã", de 11 de junho de 1943


Ao "uniforme de honra" do clube estava destinado o maior triunfo internacional do "Expresso da Vitória": A conquista do Campeonato Sul-Americano de 1948!


Vasco perfilado para o hino nacional, momentos antes da partida contra o River Plate, quando conquistaria
de forma invicta o Sul Americano de 1948 no Chile (Revista Vasco)


*Pesquisa e Texto: Equipe do Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

HÁ 100 ANOS NASCIA "OS CAMISAS NEGRAS" DO FUTEBOL



EM 28 DE JANEIRO DE 1916, FILIAVA-SE O VASCO À LIGA METROPOLITANA DE SPORTS ATHLETICOS - LMSA 





"MAIS UM CLUB QUE SE FILIA Á METROPOLITANA

 Na secretaria da Liga Metropolitana deu entrada hontem á tarde um officio em que o Club de Regatas Vasco da Gama pede filiação águella liga.
 O campo official do Vasco será o do Botafogo F. Club, á rua General Severiano, usando os seus jogadores o seguinte uniforme: calção branco, camisa preta com punho e golla brancos.
 O campeonato da 3.ª divisão será portanto disputado este anno pelos sete seguintes clubs: S. C. Brasil, C. R. Icarahy, Ingá F. C., Paladino F. C., Palmeiras A.C., River F. C. e C. R. Vasco da Gama. ..." (Gazeta de Notícias - 29/01/1916)*


*Grafia original da época

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

BREVÍSSIMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A CRUZ DO CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA



A Cruz de Malta é o símbolo Vascaíno! Assim disseram nossos fundadores. No entanto, durante anos a fio, dúvidas foram levantadas quanto ao acerto dessa afirmativa. Não é de hoje o debate entre os vascaínos conhecedores da história do clube, cuja incerteza é alimentada pelo passar do tempo, elemento corrosivo da tradição oral, que favorece o dito pelo não dito, por vezes com razão, por vezes não!

Estas brevíssimas notas são o ponto de partida para um estudo mais aprofundado sobre o tema que procurará elucidar todas as questões inerentes às duvidas criadas desde a fundação do Club de Regatas Vasco da Gama.



A atual Cruz de Malta do Club de Regatas Vasco da Gama

A atual formatação da "Cruz de Malta" vascaína foi adotada definitivamente no uniforme do clube a partir da década de 1960.

Escudo do Vasco com a atual Cruz de Malta (site oficial)


Em 1934, não se sabe se por um equívoco, uma variante da atual cruz aparece pela primeira vez no uniforme vascaíno. O fato é que a mesma desaparece logo a seguir e só volta a reaparecer esporadicamente durante as décadas de 1940 e 1950.

               
                                          Domingos da Guia em 1934                                     Revista do Esporte - 1960
                                                                                    (Acervo do benemérito Itamar de Carvalho) 


Seu uso recente, deveu-se à interpretação tardia e equivocada da definição histórica e popular do que seria a "Cruz de Malta" com formato que não corresponde ao da cruz originária da fundação do clube.

Frente e verso de medalha do Vasco nos primórdios do clube
com o primeiro brasão de 1899 e a Cruz de Cristo
(Acervo particular)



O formato equivocado da atual cruz

Apesar de estar designada como “Cruz de Malta” na ata da reunião de diretoria que estabeleceu o escudo oficial vascaíno, era em sua forma original uma "Cruz (da Ordem) de Cristo"!

(Atas da Diretoria, 06 de setembro de 1898 - site oficial do C. R. Vasco da Gama)


Fotografia de vascaínos uniformizados em 1900
com o escudo da Cruz de Cristo
(acervo pessoal)



A origem da cruz da fundação

Não há dúvidas de que a cruz adotada pelos fundadores – tanto em sua forma quanto em sua designação – tem relação com as comemorações do IV Centenário do Descobrimento do Caminho das Índias por Vasco da Gama.

1898 - Feira Franca de Lisboa


É necessário ainda ressaltar que o próprio almirante português, em data posterior à descoberta, sagrou-se cavaleiro da Ordem de Cristo, assim como o fato de as naus portuguesas envergarem exclusivamente em suas velas, a cruz daquela ordem, não tendo nenhum dos dois casos qualquer relação com a Ordem Militar de Malta.

Desta forma, a cruz vascaína é, definitivamente, a "Cruz de Cristo".

Vasco da Gama envergando o medalhão de Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo
Obra de 1838 do afamado pintor português António Manuel da Fonseca


Armada Portuguesa envergando em suas velas a insígnia da Cruz de Cristo
Códice de Lisuarte de Abreu produzido no século XVI



A cruz encarnada do Vasco

A cruz encarnada do Vasco teve origem, em grande parte, na iconografia popular produzida em Portugal à época das comemorações do IV Centenário do Descobrimento da Índia, que ilustrava uma Cruz de Cristo sem a cruz grega branca (ou vazada) em seu interior (esta representativa da inocência dos templários). No caso das representações coloridas, a cruz é mostrada, na maioria das vezes, na cor vermelha ou encarnada.

Bandeiras da Ordem de Cristo (com a cruz inteiramente encarnada) e de Avis 
Década de 30 do séc. XX - Funchal - Ilha da Madeira - Foto: Franz Grasser
(Acervo da Universidade de Dresden)

  
Aquário Vasco da Gama - Dàfundo - Portugal


Tal iconografia lusitana pode ser justificada pela liberdade artística dos autores e pela tendência à simplificação a fim de obter melhor reprodução das imagens pela tecnologia disponível na época. Se por um lado, a litografia favoreceu a popularização da imagem, ainda não era possível alcançar grande precisão de detalhes, especialmente quando se tratava de suportes de formato muito reduzido como selos e bilhetes postais.

Selos portugueses lançados em 1898 em comemoração ao IV Centenário da Descoberta do Caminho das Índias


Somos todos cruzmaltinos sob a Cruz de Cristo

Este é um ponto que gera grande confusão entre todos aqueles que tentaram interpretar a questão, bem como da própria “Cruz de Malta”, e por vezes já foi utilizado como argumentação de conotação jocosa contra a cruz dos fundadores.

A síntese para o entendimento do seu desenho e forma se resume ao seguinte: a) A interpretação heráldica; e b) A interpretação popular.

A interpretação heráldica define como sendo a "real Cruz de Malta" aquela adotada pela Ordem de Malta (Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta), também conhecida como "Cruz de Amalfi" (cidade no sul da Itália), com pontas bifurcadas, estabelecida por ordem papal no século XII, que doravante assim passaremos a designar para fins de nossos estudos.

A Cruz de Amalfi da Ordem Militar de Malta



Já cruz adotada pela Ordem de Cristo teve sua origem e inspiração na Cruz dos Templários, com pontas abertas sob o ângulo de 45 graus.

A Cruz de Cristo como descrito  no
Livro da Regra da Ordem Militar de Cristo
(Acervo da Biblioteca Nacional de Portugal)


Anteriormente, a cruz advinda dos templários foi utilizada igualmente no século XIII pela própria Ordem de Malta em Portugal, cujo formato é usado hoje em dia pelo Vasco, passando por modificações até a forma adotada pela Ordem de Cristo, sucessora dos bens dos templários em Portugal.

Selo funerário do Prior da Ordem de Malta
"Nova Historia da Militar Ordem de Malta, e dos Senhores Grão-Priores Della, em Portugal",
por José Anastácio de Figueiredo Ribeiro (1793)


Desta forma, todas as cruzes derivadas dos templários são definidas pela heráldica como páteas ou patadas, devido às pontas pisadas, amassadas, espalhadas ou patées (em francês).

A interpretação popular, advinda provavelmente do francesismo, ou do estrangeirismo, conhece e chama como Cruz de Malta todas aquelas que são cruzes páteas, sejam elas de quais formatos forem. Assim se dá com a "Cruz de Cristo"; com a Cruz dos Bombeiros (nos países de tradição anglo-americana); com a "Cruz de Ferro" alemã etc.

O referido estrangeirismo teve influência sobre a cultura brasileira na segunda metade do século XIX, mantendo-se a tradição oral até fins da década de 1910. Há inúmeros exemplos publicados na imprensa em que, sem qualquer relação com o C.R. Vasco da Gama, a Cruz de Cristo é designada como Cruz de Malta.

O marco da fundação da Cidade do Rio de Janeiro ao tempo em que estava no Morro do Castelo e
 a Cruz de Cristo no lado oposto, que hoje se encontra na Igreja dos Capuchinhos
A revista "O Malho" de 1910 designou a Cruz de Cristo como sendo de Malta
(Acervo: Biblioteca Nacional - Foto: Acervo Particular)



Interpretação Heráldica - A Chancelaria das Ordens Portuguesas informa que a Cruz de Cristo na medalha e na placa da atual ordem honorífica é pátea (site oficial da presidência de Portugal)



Interpretação popular - Na placa comemorativa do Congresso Internacional da História dos Descobrimentos, a Cruz de Cristo é designada pelo Royal Greenwich Museum (Inglaterra) como sendo de Malta (Site do Royal Museums Greenwich


Interpretação popular - A cruz pátea dos Bombeiros Americanos, sem qualquer relação com o formato da Cruz de Amalfi, é designada como sendo de Malta (site do New York City Fire Department)


Interpretação popular - A Cruz de Ferro honorífica alemã criada no século XIX, à semelhança da que está adotada atualmente pelo clube, é designada como sendo de Malta, (Em uma simples procura pelo termo "Croix de Malte"  no site do Google, tal cruz é a que tem a imagem mais reproduzida)


Assim, somos cruzmaltinos, uma vez que o Vasco é o repositório de uma secular e acertada tradição oral, representada pela Cruz de Cristo!


Da fundação ao Expresso da Vitória - ali estava a Cruz de Cristo! 
(fotos: acervo pessoal)



* As imagens cujas fontes não foram citadas, foram recolhidas de diversos sites na internet

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

HÁ 73 ANOS, NOSSO CLUBE PRESENTEAVA À NAÇÃO O AVIÃO VASCO DA GAMA



Sozinho, o Club de Regatas Vasco da Gama promoveu sua própria campanha no esforço de Defesa Nacional em tempos de Guerra!


Batismo do Avião Vasco da Gama,a 10 de dezembro de 1942

   A história é conhecida de todos! Após o oferecimento de um poderoso telescópio pelo saudoso Joaquim Pereira Ramos à Marinha Brasileira, e da participação vascaína na campanha do pró-avião Pax, Cyro Aranha começou uma empreitada exclusivamente vascaína para a doação de um avião às nossas Forças Armadas. Seria o Avião Vasco da Gama.

   Para isso criou-se a comissão da qual participaram o Professor Castro Filho, Eurico Serzedelo, Rufino Ferreira, Arthur da Fonseca Soares (Cordinha), Lauro da Costa Rebelo, Bernadino Buentes, José Teixeira, Moacyr Siqueira Queiroz, José Ribeiro de Paiva (Almirante) e João Lamosa.

   Presidiu a comissão o "Almirante" que contando ainda com a ajuda dos grandes vascaínos "Cordinha" e Lamosa, providenciaram a confecção de distintivos de lapela com a inscrição "Avião Vasco da Gama", ofertada aos contribuintes. Ao cabo de 20 dias a meta da arrecadação já havia sido ultrapassada.

   A cerimônia de entrega do avião à FAB foi realizada no estádio São Januário, a 10 de dezembro de 1942, na preliminar da final do campeonato brasileiro de seleções, disputada entre o Distrito Federal e São Paulo.

  Participaram do evento de entrega o dr. Pedro Calmon, que por designação do Ministro da Aeronáutica, recebeu a doação em favor do Aeroclube de Salvador-BA para a instrução de novos pilotos, bem como do paraninfo e vascaíno de longa data, Joaquim Fagundes Leal que batizou a aeronave.

   José da Silva Rocha (Rochinha), ex-presidente e emérito historiador vascaíno, deixou registrado em artigo publicado no jornal A Noite, o relato emocionado do Professor Castro Filho acerca desse precioso evento:

   "Eu me sentia desligado daquela praça verde, palco de lutas desportivas gigantescas. O meu pensamento vagueava por outras paragens: o campo de lutas sangrentas e irreparáveis em que, naquela hora, por certo, preliavam, como heróis, muitos dos nossos atletas, tantos dos moços que ali receberam as primeiras lições de coragem e de civismo. O meu olhar turvado de lágrimas, estava preso aos graciosos movimentos do Pavilhão Nacional do grande mastro. Parecia-me ver nesse ondular de verde e ouro o aceno protetor e amigo do reconhecimento; eu via a Bandeira do Brasil a acenar para todos, como se lhes dissesse comovida: - Obrigada, Vasco, muito obrigada vascaínos; Deus vos conserve esse grande, esse imenso coração!"


*Texto e fotos: Equipe do Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

HÁ 110 ANOS, O VASCO TORNAVA-SE CAMPEÃO DE MAR NAS ÁGUAS DA GUANABARA



Clube foi o primeiro campeão na inauguração do Pavilhão de Regatas



   Hoje, 24 de setembro, comemoramos a conquista do primeiro título do Club de Regatas Vasco da Gama, o Campeonato do Rio de Janeiro. Passados 110 anos desse glorioso feito, vamos contar um pouco da trajetória do clube em suas sedes no Largo do Passeio, postas abaixo para as obras de urbanização do então prefeito Pereira Passos, o Grupo dos XIII, a aquisição da Procelária, o retorno de João Jório ao clube, e a conquista inédita no dia da inauguração do famoso Pavilhão de Regatas na enseada de Botafogo.


As sedes do Vasco no Largo do Passeio, atual Praça Mahatma Gandhi




   Após sair da sua sede na Ilha das Moças, por decisão dos seus sócios, o Vasco trilhou o caminho do crescimento ao alugar, em julho de 1899, sua sede de frente para o mar junto ao Passeio Público. Era localizada na então Travessa do Maia, n.º 15, ao lado dos demais centros náuticos. A Garagem que se tornaria sua sede ao longo de seis anos era construída sobre um muro de cantaria de pedras, possuindo amplo espaço, um torreão e um mastro militar, de onde se desfraldava o pavilhão vascaíno. Ali o clube aumentou tremendamente seu quadro social e sua flotilha, o que ajudaria a galgar as vitórias a que estava destinado.

   Tal crescimento fez com que o clube alugasse mais dois prédios, um defronte à própria sede na Travessa do Maia, n.º 10A e outro na Rua do Passeio n.º 13, que após as obras de 1904 foram interligados num único imóvel com duas frentes, onde foram instaladas a secretaria, garagem, vestiário, aula de ginástica, linha de tiro. Em sua sede passou a funcionar somente o salão social para a reunião dos sócios e o chá das sextas-feiras.

   Com o bota-abaixo promovido pela prefeitura do então Distrito Federal, toda a área do Largo do Passeio foi demolida. Em setembro de 1905, o Vasco foi provisoriamente instalado pela prefeitura na Rua Luiz de Vasconcellos, n.º 14, até sua transferência definitiva para a histórica sede da Rua Santa Luzia, em 1906.

   Portanto, o Vasco trilhou para a glória instalado defronte ao mar, no Passeio.


O Grupo dos XIII

  Na sua histórica trajetória, contou o Vasco com a colaboração de um grupo de sócios que atuou de forma crucial para o engrandecimento do clube. Era o Grupo dos XIII, de onde despontava o seu presidente negro, eleito pelo quadro social, Candido José de Araujo; os irmãos Carvalho Silva; Anibal Peixoto; dentre outros. Foram esses sócios pioneiros que, na ausência do seu presidente honorário Alberto Carvalho Silva, determinaram os caminhos de glória do Vasco.




A Procelária

   O grupo dos XIII e o quadro social já estavam decididos a conquistar o maior título do remo brasileiro. Para tanto, precisava adquirir uma yole de primeira linha, encomendada em fevereiro de 1905, foi fabricada na França pelo estalaleiro Dossumet, ao custo de Fr 4.028,20 (quatro mil e vinte e oito francos e vinte cents). Chegou ao Brasil pelas mãos de Alberto Carvalho Silva, no mesmo navio em que retornou da Europa. Não se mediu esforços para a sua aquisição e seu nome já havia sido escolhido. O termo Procelária, (Procellaria, na grafia de 1905) designa as aves que singram a crista das ondas e anunciam as tempestades. Deste modo, o Vasco com o Grupo dos XIII se tornou um clube vencedor!


Praia do Boqueirão do Passeio - 1906
Revista da Semana (Acervo Biblioteca Nacional)


O retorno de João Jório

   Ao iniciar os treinos da temporada, a guarnição de veteranos ainda não estava definitivamente formada. Faltava um remador em especial: João Jório. O Grupo dos XIII não mediu esforços para convencê-lo a voltar ao Vasco em abril de 1905. Assim anunciaram os jornais da época!


João Jório envergando o uniforme
da Federação Brazileira das Sociedades de Remo


O Campeonato Rio de Janeiro

   O Campeonato do Rio de Janeiro era o páreo de honra que a Federação Brazileira das Sociedades de Remo designou para a conquista do grande título do ano. Era disputado em prova única pelas guarnições das yoles-franches a oito remos dos diversos clubes náuticos. Quem contasse com a melhor guarnição receberia a medalha de ouro da mão do Presidente da República, na época, Rodrigues Alves, e o clube seria dono dos dois troféus da maior prova do remo brasileiro: o L'E'pave, ofertado pela federação, e o troféu presidencial, representado pelas peças náuticas. A prova seria realizada no novíssimo Pavilhão de Regatas, de telhado azul e detalhes dourados.


Pavilhão de Regatas


Vasco conquista seu primeiro título e se torna o campeão da inauguração do Pavilhão de Regatas

   A regata estava marcada para 27 de agosto, no dia seguinte se daria a mudança do clube para a Rua Luiz de Vasconcellos. No entanto, o famoso Pavilhão de Regatas, mandado construir pela Prefeitura do Distrito Federal para os clubes náuticos, ainda não havia sido completado. A Federação Brazileira das Sociedades de Remo, apoiada por todos os clubes federados, remarcou a competição para 24 de setembro. O Vasco ainda teria um mês para treinar sua guarnição na Procelária.

   No dia designado, compareceram as mais elevadas autoridades da República. Era um evento social da maior importância, a ponto de rivalizar com o turfe. O Vasco mandou alugar uma barca que saiu às 11 horas do Cais Pharoux, levando consigo remadores e associados para melhor assistência da prova.

   Às 15:10h era dada a largada do 8.º páreo do campeonato. A disputa foi ferrenha, e a partir da baliza 9 a Procelária despontou à frente do barco segundo colocado do Boqueirão do Passeio, sob os aplausos do público presente à Enseada de Botafogo. A guarnição gloriosa correu e venceu com o tempo de 7 minutos e 10 segundos!


Ao fundo , o momento em que a Procelária cruza a linha de chegada
Revista O Malho (Acervo Biblioteca Nacional)


   O Vasco conquistava assim seu primeiro título de campeão da cidade, o primeiro do Pavilhão de Regatas!


Revista da Semana (Acervo Biblioteca Nacional) 


   Foram heróis dessa epopeia vascaína: Lucindo Saroldi (patrão); Antonio Taveira (voga); Albano da Costa Fonseca (sota-voga); Manuel da Silva Rabello (contra-voga); Raimundo Martins (1.º centro); João Jório (2.º centro); Manuel Rezende (contra-proa); Joaquim Duarte Guedes (sota-proa); João Saliture (proa).

   Cândido de Araujo foi reeleito presidente do Vasco para o ano de 1905 e 1906; a guarnição de seniors venceu seu páreo com a mesma Procelária; e o Vasco viria a conquistar o bicampeonato em 1906 com a nova guarnição de veteranos da Procelária.


L'E'pave - Quadro de Honra dos Campeões de 1905 - Troféu oferecido pelo Presidente Rodrigues Alves

*Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama

domingo, 6 de setembro de 2015

O PRIMEIRO UNIFORME DO VASCO


Há 117 anos os vascaínos criavam o primitivo uniforme do clube!


   Qual vascaíno nunca debateu a respeito da preferência entre a utilização da camisa preta ou da camisa branca nos jogos de futebol? Essa é uma discussão quase que inata aos torcedores de futebol do Gigante da Colina, podendo influenciar até mesmo àqueles que se dizem indiferentes a essa questão.

   Os defensores de cada opção procuram legitimar a sua preferência através da história, lançando mão das mais variadas justificativas, como, por exemplo, fazendo referência a jogos e conquistas inesquecíveis em que tal uniforme foi usado em campo.

   O uniforme de um clube é mais do que simples vestimenta para eventos sociais ou competições esportivas, soma-se a isso os demais símbolos como flâmula, escudo e bandeira.

   De fato, as cores e os símbolos representam os ideais e os princípios de uma instituição. O mês de setembro é um período bastante significativo para a escolha dos primeiros símbolos do Vasco. Por isso, viemos resgatar a criação do primeiro desses símbolos, de tão pouco conhecimento dos vascaínos.

   No dia de hoje, 06 de setembro de 2015, faz 117 anos que os fundadores definiram em reunião de diretoria o que a princípio seria o primeiro uniforme do Vasco. Por proposta do então presidente-fundador, Sr. Francisco Gonçalves Couto Junior, o Vasco teve aprovado por unanimidade as suas primeiras vestimentas. Assim nos diz a documentação histórica:

"Por proposta do snr. Presidente o uniforme que se deveria adoptar no Club de Ragatas Vasco da Gama foi um debate por unanimidade de votos approvado o seguinte uniforme:
Bonet de casimira preta com pompão branco e preto: Camiza preta com golla e larga faxa branca tendo no peito metade sobre o branco e metade sobre o preto a Cruz de Malta encarnada: Cinto branco; Calção de casimira preta; Meias pretas: Sapatos brancos, sendo o uso dos sapatos e meias somente obrigatorio por occasião de regatas" (Atas da Diretoria, 06 de setembro de 1898).

   Conforme podemos perceber, no primeiro modelo de uniforme a camisa possuía uma “larga faxa branca” (sic), que estava na posição horizontal. A faixa viria a mudar de posição apenas no ano seguinte, em decorrência da primeira grande cisão do clube, passando a ser “a tiracolo”, ou seja, em posição transversal. Vide: http://www.vasco.com.br/site/noticia/detalhe/11061/os-116-anos-da-criacao-do-principal-uniforme-do-vasco.

   É de se destacar a intenção primeira com o símbolo do clube, a cruz entre o preto da camisa e o branco da faixa, o que viria a ser eventualmente retificado, pois no mês de novembro de 1898, em ofício de filiação à União de Regatas Fluminense, a cruz encarnada foi designada em posição central na faixa.

   Na falta de fotografias de época, apresentamos abaixo duas imagens retocadas digitalmente que simulam os uniformes da fundação, com a cruz metade sobre o preto e metade sobre o branco; e com a cruz dentro da faixa larga:

                                                                                                                                                               

(1) Uniforme de 6 de setembro                                                  (2)Uniforme da filiação à União




Imutável o nome e as cores do Clube

   Em reunião da Assembleia Geral no dia 10 de setembro de 1898, o sócio-fundador José Lopes de Freitas colocou em votação e foi aprovado por unanimidade de votos a condição de imutabilidade do nome e das cores do Vasco: 

"Do mesmo Snr. Por unanimidade e com aplauso geral:
O Club de Regatas Vasco da Gama por motivo nenhum mudaria o Nome e as Côres que adoptar" (Ata da Assembleia Geral, 10 de setembro de 1898)


   Dias depois dessa reunião, a flâmula, que geralmente ficava na polpa dos barcos, foi aprovada. Ela era assim constituída: 

[...] da flamula para uso das embarcações do Club que foi resolvida a seguinte; de seda preta com uma lista branca ao centro com uma cruz encarnada tendo a flamula 50x10 c/m de comprimento por unanimidade” (Atas da Diretoria, 23 de setembro de 1898).


   Dessa forma, os vascaínos pouco a pouco iam construindo o clube, moldando uma instituição que nasceu para o congraçamento entre portugueses e brasileiros.

*Texto e iconografia da equipe do Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama