quinta-feira, 8 de agosto de 2019

1925 - O NOVO CONFRONTO ENTRE O VASCO E A AMEA


O SEGUNDO ROUND CONTRA A INTOLERÂNCIA E O PRECONCEITO

Tendo o Vasco se retirado da AMEA da qual também era fundador em 1924, foi NOVAMENTE convidado no ano seguinte pela mesma entidade a participar da liga com todas as garantias de fundador e permanência dos seus jogadores campeões de 1923 e 1924. O Vasco era então o campeão de assistência e o interesse do público havia diminuído pelos clubes de elite no campeonato da AMEA,  no ano em que os Camisas Pretas ficaram fora da competição. Mas a proposta era um subterfúgio para esmagar a Resposta Histórica de 1924.  Aqui vemos um raro registro do novo confronto entre o Vasco e a AMEA na defesa de seus jogadores amadores que ao mesmo tempo eram sócios do clube, na reprodução da coluna publicada pela revista Theatro & Sport de 18 de abril de 1925, com a grafia original da época:



O Vasco deixa de novo a AMEA?

...

Estourou quinta-feira como uma bomba, nas rodas sportivas, a nota sensacional de que o Vasco deixará novamente a Amea, no caso da directoria desta persistir no propósito de excluir varios dos melhores "players" vascainos.

Corroborando essa versão, é sabido que a directoria do Vasco, em gesto altivo e nobilitante, devolveu o officio que em a Amea scientificava a exclusão de diversos elementos do primeiro quadro.

A directoria do Vasco viu, nesse procedimento da associação a que em má hora si filiou, não só um ludibrio ao pacto verbal estabelecido entre as duas partes, como tambem uma consequencia do terceiro ha dias realizado, em que o team do Fluminense foi derrotado pelo quadro vascaino.

Ficou ainda resolvido, que o Vasco não disputaria o campeonato da Amea, caso não visse resolvida a pendencia a seu favor.

Como quasi certo que a associação dos "grandes" não transija dos seus propositorios, o caso do sport carioca vae complicar-se ainda mais.  E assim deve ser porque o Vasco, desligado como está da Metro, não se poderá valer do recurso do anno passado.  É com isso que contam vencer os ameitas.

A esse proposito, corria hontem com insistencia o boato de que o Vasco estava procurando um entendimento com os clubs acima e mais alguns outros, com o fim de constituirem uma nova organização sportiva, que tem por fim quasi exclusivo guerrear de morte a aristocratica associação dos grandes.

Tal cousa não nos surprehende, porquanto era sabido que o principal fito da Amea, procurando o desligamento em massa dos clubs da Metro, era deixal-os ao abandono, como succede com o Andarahy e Carioca, que só serão aceitos se constituirem seus teams com gente não operaria, e o Mackenzie, que não é aceito por não ter campo nem séde.

Tudo isto estava no programma, tudo sido posto a nú destas columnas. Era só uma questão de tempo.




A VITÓRIA DO VASCO E O TERCEIRO ROUND: SÃO JANUÁRIO!

Como só o Vasco é capaz de superar o ser mitológico Adamastor (citado nos Lusíadas quando nosso patrono dobrou o Cabo das Tormentas que se tornou da Boa Esperança), VENCEU O SEGUNDO ROUND, acabando a AMEA por recuar do seu objetivo, evidenciado na intolerância e no preconceito, acatando todos os jogadores vascaínos e mantendo os direitos de fundador!  Ainda assim a associação fez ao clube mais uma exigência, assumida com altivez e coragem indômita, possuir seu próprio campo! O resultado do TERCEIRO ROUND todos conhecemos, a construção do Gigante da Colina - São Januário!

*Vascainidades

O gol da vitória do team principal do Vasco sobre o Fluminense pelo placar de 2 a 1, a 17 de maio de 1925, no campeonato da AMEA



terça-feira, 6 de agosto de 2019

O JOVEM ANTONIO SOARES CALÇADA


Antonio Soares Calçada em 1953


O ex-diretor de tênis de mesa do coronel Póvoa é, hoje, o lugar-tenente de Cyro Aranha em seu terceiro mandato presidencial.  Bem poucos conseguiram subir tão alto, em tão pouco tempo como esse moço industrial (bebidas, rua do Senado) de 29 anos, que surgiu no Vasco em 1936, como sócio juvenil, dois anos depois de ter desembarcado (procedente de Lisboa) na praça Mauá.

Calçada hoje é sempre uma grande notícia de jornal.  É um nome que está na caderneta de todos os jornalistas esportivos.  É um sujeito que, às vezes, acorda no Rio, almoça em São Paulo e janta em Belo Horizonte no mesmo dia.  è o "enfant-terrible" da administração Cyro Aranha, dirigindo, com muita atividade, a Divisão de Compras (ele pede para esclarecer que não é de jogadores) e sendo o elemento de ligação entre a presidência e o departamento de futebol.

Tudo o que se passa dentro do Vasco ele sabe e Guarda melhor do que ninguém.  em nenhum outro dirigente atual - sem exagero ou favor - Cyro confia tanto quanto no Calçada.  Por isso mesmo a velha guarda e a tradicional turma do bate-papo que se reúne, todas as tardes, na sede do Vasco já andam enciumadas, culpando o rapaz por muita coisa, muitos chegando mesmo ao extremo de dizer que "ele é quem está levando Cyro Aranha para o mau caminho".

Calçada, entretanto, não dá ouvido à oposição, está perfeitamente tranqüilo e certo de sua força e de seu prestígio, nunca compra prego sem consentimento e a ciência de "seu" Cyro, apesar dos empates do Vasco mantém-se calmo e tem engordado muito.

Conhece todos os jornalistas, dá-lhes, a todos, indistintamente a atenção devida, embora, quando queira ira a São Paulo buscar o Julinho, Djalma Santos e Brandãozinho, procure despistá-los tanto quanto possa - e os indiscretos companheiros de diretoria permaneçam calados.  Prestigiou Gentil Cardoso, apoiou a volta de Flávio Costa, esteve em Santiago e em Buenos Aires chefiando a delegação do Vasco, conversou com Peron, é muito estimado pelo Cordinha, desgostado pelo João da Silva (diretor de futebol), dedica umas oito horas por dia ao Vasco, não falta à sede, ao estádio, à concentração e aos almoços (diários) com o presidente Cyro Aranha. Que é a melhor hora que encontra para o seu "despacho".

*OS DONOS DO VASCO - trecho do artigo do jornalista Araujo Netto e foto de Gervásio Batista para a Revista Manchete em outubro de 1953

Esta é uma singela homenagem à memória vascaína de Antonio Soares Calçada, Presidente de Honra e Grande Benemérito do Club de Regatas Vasco da Gama, que conquistou todos os títulos já conquistados pelo grande presidente Cyro Aranha e mais.


Calçada e Flávio Costa (acervo Arquivo Nacional)


✩16 de abril de 1923
✞5 de agosto de 2019

domingo, 19 de maio de 2019

A CRUZ ENCARNADA DO VASCO É A CRUZ DA ORDEM DE CRISTO

ARTISTA PORTUGUÊS INSPIROU A CRUZ ENCARNADA NA FUNDAÇÃO DO CLUB


A Cruz de Cristo, popularmente chamada de "Cruz de Malta", 
adorna o Estádio Vasco da Gama desde sua inauguração em 1927


Há um tempo atrás, tivemos oportunidade de fazer breves considerações sobre a "A Cruz de Malta" como símbolo vascaíno.


A Cruz de Cristo no uniforme vascaíno de 1900
registro fotojornalistico de Paschoal Segretto - acervo: Biblioteca Nacional


Após nos debruçarmos em longa pesquisa, conseguimos elucidar várias dúvidas que foram mantidas como mito por anos a fio.


A Cruz de Cristo no uniforme vascaíno de 1901
 acervo: Biblioteca Nacional


Como já dissemos, o tempo é o elemento corrosivo da memória oral. Perderam-se a sabedoria dos pioneiros vascaínos, os pormenores do contexto da fundação e o porquê da vontade dos fundadores designarem, em ata da assembléia geral, a Cruz de Cristo vascaína como "Cruz de Malta Encarnada" quando da criação do primeiro uniforme do Club (06/09/1898). Memórias perdidas com o passar dos anos, de modo que, nos festejos do cinquentenário do Vasco (1948), já se havia esquecido por completo. O que era de conhecimento comum e não escrito, sumira da lembrança!


A Cruz de Cristo no uniforme vascaíno de 1913
acervo pessoal

Resgatamos, por exemplo, que a vontade dos fundadores foi a de se adotar a Cruz de Cristo encarnada como ficou registrada na iconografia da época, que em sua maior parte buscou a simplificação, sem que se contivesse a cruz branca interna na mesma cruz da Ordem de Cristo. Revelamos também que, no contexto da época, independentemente da vinculação com o Club, a designação "Cruz de Malta" tinha um caráter popular que se referia ao design heráldico das cruzes páteas (toda cruz, independentemente da ordem religiosa e equestre, que tenha pontas abertas é uma cruz pátea) e assim verificamos que não se tratava da cruz da Ordem dos Hospitalários de Malta, e sim da cruz da Ordem Militar de Cristo enquanto designativo (nome) próprio da referida Ordem.


A Cruz de Cristo no uniforme vascaíno de 1923 
que inspirou as insígnias do Stadium Vasco da Gama
acervo: "image 2 you"

Por óbvio, em Portugal, ninguém se referirá à cruz pátea da Ordem de Cristo como sendo uma "Cruz de Malta", pois se trata de um símbolo nacional enraigado na história lusitana! Já no estrangeiro, há diversos casos de se referirem à Cruz (da Ordem Militar) de Cristo como sendo uma "Cruz de Malta", e assim era também em nosso país ao tempo da fundação do Club de Regatas Vasco da Gama, como exemplificamos em nosso artigo anterior.

A Cruz de Cristo na bandeira vascaína em 1925
revista Illustração Sportiva

Ainda esclarecemos que o signo do Club tem relação direta com a história das grandes navegações portuguesas, em especial, com os festejos do IV Centenário do Descobrimento do Caminho das Índias por Vasco da Gama (1898), sem nenhuma conotação com qualquer outra Ordem religiosa militar e equestre (leia o artigo completo acessando o link:
http://www.memoriavascaina.com/2016/01/brevissimas-consideracoes-sobre-cruz-do.html).


A Cruz de Cristo na bandeira vascaína em 1927, 
na benção que antecedeu a inauguração do Stadium, pelo Bispo Dom Mamede 
revista Revista da Semana - acervo: Biblioteca Nacional


Seguindo o critério adotado pelos fundadores para o signo do Club, temos as naus da esquadra de Vasco da Gama, que aportou em Calicute em 20 de maio de 1498 - e, como todos sabemos, em suas velas estava estampada a Cruz da Ordem Militar de Cristo.


A Cruz de Cristo encarnada e simplificada por Roque Gameiro nas velas portuguesas
A Partida de Vasco da Gama para a Índia em 1497 - Acervo: Biblioteca Nacional de Lisboa



A Cruz de Cristo encarnada e simplificada por Roque Gameiro nas velas portuguesas
Na chegada de Vasco da Gama a Calicute em 1498 - Acervo: Biblioteca Nacional de Lisboa


Diante do contexto histórico no momento da fundação, duas obras se destacam e serviram de esteio para a adoção da cruz encarnada: as gravuras produzidas por Roque Gameiro, uma sobre a partida da esquadra do navegante português; a outra com a chegada a Calicute. Nelas estão representadas, nas velas da esquadra de nosso patrono, a Cruz de Cristo, inteiramente encarnada, simplificada pelo afamado artista, e que serviu de inspiração para a adoção da mesma cruz pelos pioneiros fundadores! Essa é a origem da Cruz do Vasco, encarnada, grega (formato quadrado), e pátea (pontas abertas), resultado de uma liberdade artística do tempo dos festejos do IV Centenário do Descobrimento dos Caminhos das Índias!


A Cruz de Cristo estampada no uniforme dos campeões do Torneio Teresa Herrera em 1957
acervo: Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama



Vascainidades:

(1) Um pouco sobre Roque Gameiro, no seu tempo - publicado em 06 de abril de 1898 pelo jornal português O Seculo:  "Poucos artistas tem conseguido evidenciar-se de forma tão notável, de maneira tão distincta, impondo-se pelo trabalho e pelo seu talento como Roque Gameiro, alheio a cateries e a reclamos, modestissimo e ingenitamente bondoso.
O seu nome assoma a todos os labios quando se tratam questões de arte, e com lidima razão. Roque Gameiro, alem de ser hoje o nosso primeiro aquearellista é, sem duvida, tambem um de nossos mais laureados desenhadores. Dispondo de aptidões de trabalho que completam as suas magnificas qualidades de artista, Roque Gameiro é dos que mais produzem, senão aquelle que mais produz.
Os trabalhos que a rubrica elegante do seu nome salientam á attenção publica são sem conta. Ainda ultimamente o publico teve occasião de o palmear pelo symbolico e bisarrantre cartaz do Centenario, bem como pelo gracioso quadrosinho destinado a brinde da Casa Bertrand, e representando a chegada de Vasco da Gama a Calecut.
Entre muitas aquarellas e desenhos que presentemente occupam a prodigiosa actividade do sympathico artista, destacam-se os seguintes trabalhdos destinados ao Seculo: aquarella para capa do Album Commemorativo do Centenario e uma grandiosa aquarella representando Mousinho de Albuquerque na companha contra os namarraes, que servirá de primeiro brinde ao assignantes da Madame Sans-Géne.
Finalisando esta noticia damos aos nossos leitores a boa nova de que o nosso distincto collaborador artistico illustrará com delicadas vinhetas o romance historico que  Seculo vae encetar brevemente em folhetins, devido á penna de Anonio Campos Junior, e que terá por titulo Guerreiro e monge.
Desnecessario é augurar á publicação  um successo, visto por si só garantia bastante de que o novo folhetim do Seculo constituirá um verdadeiro acontecimento." (grafia da época)


(2) O Vasco quase foi Azul e Branco, mas a Cruz de Cristo era definitiva! - O fundador José Lopes de Freitas, um dos 5 pioneiros que idealizou o Club de Regatas Vasco da Gama, pouco antes de sua morte em 1947, teve relação muito próxima com o Grande Benemérito Álvaro do Nascimento, cognominado Cascadura, tendo transmitido a este todas as suas lembranças acerca da fundação, que foram no entanto, esparsamente difundidas. Tanto José Lopes de Freitas, quanto Cascadura eram homens da imprensa, tendo este último trabalhado no jornal Rio Sportivo nos primórdios do futebol, e com Mario Filho trabalhou também no Jornal dos Sports. Em homenagem a José Lopes de Freitas, que utilizava o pseudônimo de "Zé da Praia", adotou Cascadura o pseudônimo de "Zé de São Januário", ao escrever durante muitos anos a coluna "Uma Pedrinha na Chuteira".  Por conta dessa colaboração, alguma informação sobre a fundação do Vasco foi retransmitida a Mário Filho, que por sua vez era sócio de Roberto Marinho no Globo Sportivo.  Numa dessas colunas escritas por Mário Filho no Globo Sportivo de 24 de agosto de 1945, externou um desses detalhes sobre a escolha do signo e das cores vascaínas que reproduzimos abaixo:



(3) Começaram hontem, no Club Gymnstico Portuguez as festas commemorativas do 4º centenario do descobrimento da Índia. (...) continuou a festa assim organisada: 2º parte - Escola de gymnastica, direcção do consocio Sr. José Lopes de Freitas... A ultima parte da festa foi um animado baile, que prolongou-se até ás 5 horas da manhã de hoje" (jornal Gazeta de Notícias, 19 de maio de 1898). Acerca desse evento, Cascadura publicou uma pequena manchete no Jornal dos Sports de 10 de agosto de 1948:


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Nossos agradecimentos à historiadora Glaucia dos Santos Garcia, ao pesquisador Alexandre Mesquita, e ao historiador Walmer Peres Santana.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

VASCO VENCE A BATALHA DAS FLORES E RECEBE O 1.º PRÊMIO DAS MÃOS DO PREFEITO PEREIRA PASSOS






Foi há 112 anos, no dia 2 de setembro do longínquo ano de 1906. A Prefeitura do Distrito Federal celebrava anualmente no Campo de Santana o concurso da "Batalha das Flores" onde eram exibidos os melhores arranjos artísticos e floridos em embarcações de regatas e automóveis da época.

O C.R. Vasco da Gama apresentou a yole Condor, conduzida pelo rower vascaíno J. Rato "num bello caramanchel, tendo à proa um enorme cysne de flores naturaes guiado por duas graciosas crianças" (sic).

Vemos nas fotos de época a alegoria vascaína representativa da festividade!

Fonte: Gazeta de Notícias - 03/09/1902
Fotos: Acervo Digital Brasiliana Fotográfica
Edição Digital em HDR: Memória Vascaína

domingo, 29 de julho de 2018

COM A MÃO NA TAÇA!


EM 1923, JORNAL "O PAIZ" JÁ VATICINAVA O PRIMEIRO TÍTULO DO VASCO PARA DESESPERO DO "CORREIO DA MANHÃ"





O VASCO COM A MÃO NA TAÇA - A POLÊMICA NA IMPRENSA ESPORTIVA

Há exatamente 95 anos, o Vasco venceu o Fluminense pelo 2.º turno da Metro, como era popularmente conhecido o campeonato carioca promovido pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres - LMTD, fazendo com que o líder abrisse 7 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Flamengo, que no mesmo dia empatou com o Bangu por 3 a 3, faltando apenas duas rodadas para o término da competição. 

Tanto hoje, como naquele tempo, poderíamos imaginar que o Vasco já fosse considerado campeão da Série A da 1.ª divisão da LMDT, havendo mesmo algumas rusgas travadas na própria imprensa do antigo Distrito Federal, uma a favor do adversário, e outra a favor do Vasco, e pasmem, com acusações ao Fluminense, que perdeu a partida contra o Vasco em seu próprio estádio.

O "Correio da Manhã", em defesa ferrenha da posição do então segundo colocado, abriu fogo contra o Fluminense, acusando o tricolor de haver facilitado a vitória vascaína. Isto uma semana após à polêmica vitória do Flamengo sobre o Vasco, no que ficou conhecido como o jogo da covardia, em que a torcida adversária atravessou clandestinamente pás de remo ao recinto do estádio para agredir os vascaínos indiscriminadamente. Eis a desesperada crônica do matutino conforme foi publicada no dia seguinte ao jogo do Vasco contra o Fluminense:


Correio da Manhã - 30 de julho de 1923


Mas tal qual um profeta da razão, quem vaticinou o futuro foi o vespertino "O Paiz" em sua manchete na tarde do mesmo dia 30 de julho, saiu em defesa do Vasco, confrontando o choro do matutino concorrente:


"O C. R. Vasco da Gama, vencendo o Fluminense F. C., garante o título de campeão"

O Paiz - na sua edição da tarde de 30 de julho de 1923



REGULAMENTO ESTRANHO ADIA A FESTA DO TÍTULO

Quem nos esclarece esta situação é o pesquisador e escritor vascaíno Alexandre Mesquita, que nos diz:

"Apesar de ter atropelado seus adversários em sua primeira temporada na elite em 1923, o Vasco, que ficou conhecido, desde então, por suas viradas no segundo tempo, passou por uma verdadeira novela para ter seu título carioca confirmado naquele ano memorável. Tudo por causa de seu primeiro encontro, logo na rodada inaugural. 

O tropeço frente ao Andarahy, no dia 15/abril, foi transformado em vitória no tapetão cerca de um mês depois (23/maio). O atleta Joãozinho havia atuado de forma irregular naquela tarde. Com isso, quando em 29/julho a  equipe cruz-maltina adentrou o gramado para enfrentar os tricolores nas Laranjeiras, curiosamente o campo adversário, mas onde o Vasco mandou seus jogos naquele campeonato - um estádio bem familiar para a turma da fuzarca -, a diferença sobre o segundo colocado poderia aumentar para  8 pontos (22×14, do Flamengo), no caso de vitória vascaína e derrota rubro-negra.

Essa combinação deixaria a competição praticamente decidida, já que o único clube que nos perseguia teria que vencer seus 4 encontros faltantes, além do Vasco ter que ser derrotado nas suas últimas 2 pelejas, para que, ainda assim, fosse jogada uma final extra entre ambos. Ufa... ninguém nega que seria uma tarefa improvável. 

A pontuação do campeonato - 31/07/1923 (O Paiz)

Após a rodada do dia 29/julho, triunfo do Vasco sobre o Flu por 2x1 e empate na rua Ferrer (Bangu 3x3 Fla), alguns jornais, precipitadamente, até declararam o Almirante campeão. Porém, tanto o ponto ganho sobre o Andarahy, como a ratificação da diferença de pontos que impediria o solitário rival de alcançar o líder só aconteceram duas semanas depois: no dia 11/agosto, o tribunal desportivo decidiu definitivamente, mantendo a pontuação do Vasco. No dia seguinte, com bola rolando, o Vasco vence o São Cristovão (3x2) e conta com a ajuda justamente do Andarahy que ao bater os rubro-negros pelo mesmo placar decreta ponto final ao certame.

O Imparcial - 31/07/1923

Mas, surpreendentemente, essa novela não acabou por aí... uma  curiosa e esdrúxula prorrogação aconteceu. Desde 1921, com a reorganização das divisões do Campeonato Carioca, um regulamento estranho foi instaurado: equipes da Série B poderiam desbancar os principais clubes e levar o título máximo da temporada. Para isso se concretizar, o campeão da Série B teria que derrotar o último colocado da Série A. Esse triunfo daria direito ao vencedor de enfrentar o campeão da elite. Entretanto, assim como nos anos anteriores, não houve zebra. No dia 14/outubro, o lanterna Botafogo ganha do Villa Isabel e põe fim às esperanças deste dar um desfecho diferente ao torneio. Vasco, enfim, campeão!"

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Histórico do campeonato da Metro, rodada a rodada:

Série A

 15/Abr - Bangu 3-5 Botafogo (Rua Ferrer).

15/Abr - São Cristóvão 1-4 América (Rua Figueira de Mello). 

15/Abr - Vasco 1-1 Andarahy (Rua General Severiano). 

Obs: 1) Em 23 de maio, o Vasco ganha os pontos na Liga, o Andarahy atuou com João Martins (Joãozinho) que estava irregular;

Classificação:

América e Botafogo 0 ponto perdido; Vasco e Andarahy 1 pp; Bangu e São Cristóvão 2 pp.

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22/Abr - Bangu 6-1 América (Rua Ferrer). 

22/Abr - Botafogo 1-3 Vasco (Rua General Severiano). 

22/Abr - Andarahy 0-0 São Cristóvão (Rua Prefeito Serzedello Corrêa).

Obs: 1) Em 04 de maio, o São Cristóvão ganha os pontos na Liga, o Andarahy atuou com João Martins (Joãozinho) que estava irregular; 

Classificação:

Vasco 1 pp; América, Andarahy, Bangu, Botafogo 2;  São Cristóvão 3 pp.

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29/Abr - Flamengo 1-3     Vasco (Rua Paysandu). 

29/Abr - Bangu 1-5 Fluminense (Rua Ferrer). 

29/Abr - Andarahy 0-0 América (Rua Prefeito Serzedello Corrêa). 

Obs: Em 17 de maio, o América ganha os pontos na Liga, o Andarahy atuou com João Martins (Joãozinho) que estaria irregular. 

Classificação:

Fluminense 0 pp; Vasco 1 pp; Botafogo e Flamengo 2 pp; América, Andarahy e São Cristóvão 3 pp; Bangu 4 pp.

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06/Mai - Fluminense 3-5 Botafogo (Laranjeiras).

06/Mai - São Cristóvão 1-3 Flamengo (Rua F. de Mello).

Classificação:

Vasco 1 pp; Botafogo, Flamengo e Fluminense 2 pp; América 3 pp; Andarahy, Bangu e São Cristóvão 4 pp.(1)

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13/Mai - Andarahy 2-2 Bangu (Rua Pref. Serzedello Corrêa). 

13/Mai - América 0-1 Vasco (Rua Campos Salles). 

13/Mai - Flamengo 1-1 Fluminense (Rua Paysandu).

Classificação:

Vasco 1 pp; Botafogo 2 pp; Flamengo e Fluminense 3 pp;  São Cristóvão 4 pp; América, Andarahy e  Bangu 5 pp.

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20/Mai - Bangu 1-2 São Cristóvão (Rua Ferrer). 

20/Mai - Vasco 1-0 Fluminense (Laranjeiras). 

20/Mai - América 1-0 Botafogo (Rua Campos Salles).

Vasco 1 pp; Flamengo 3 pp;  América, Botafogo e São Cristóvão 4 pp; Fluminense 5 pp; Andarahy 6 pp; Bangu 7 pp.(2)

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27/Mai - América 2-4 Fluminense (Rua Campos Salles). 

27/Mai - Flamengo 4-1 Botafogo (Rua Paysandu).

Vasco 0 pp; Flamengo 3 pp;  São Cristóvão 4 pp;  Fluminense 5 pp;  América, Botafogo 6 pp; Andarahy e Bangu 7 pp. (3)


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03/Jun - Flamengo 4-1 Andarahy (Rua Paysandu).

03/Jun - Vasco 3-2 Bangu (Laranjeiras). 

03/Jun - São Cristóvão 6-1 Botafogo (Rua Figueira de Mello).

Vasco 0 pp; Flamengo 3 pp;  São Cristóvão 4 pp;  Fluminense 5 pp;  América 6 pp; Botafogo 8; Andarahy e Bangu 9 pp.

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10/Jun - Fluminense 3-3 Andarahy (Laranjeiras). 

10/Jun - São Cristóvão 2-3 Vasco (Rua Figueira de Mello). 

10/Jun - América 1-3 Flamengo (Rua Campos Salles).

Vasco 0 pp; Flamengo 3 pp;  São Cristóvão e Fluminense 6 pp; América e Botafogo 8; Bangu 9 pp; Andarahy 10 pp.

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17/Jun - Botafogo 2-4 Andarahy (Rua General Severiano). 

17/Jun - São Cristóvão 4-1 Fluminense (Rua Figueira de Mello). 

17/Jun - Flamengo 6-0 Bangu (Rua Paysandu).

Vasco 0 pp; Flamengo 3 pp;  São Cristóvão 6 pp;   América e Fluminense 8 pp; Andarahy e Botafogo 10 pp; Bangu 11 pp.

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24/Jun - Botafogo 0-2 Bangu (Rua General Severiano). 

24/Jun - Andarahy 1-3 Vasco (Rua Pref. Serzedello Corrêa). 

24/Jun - América 0-0 São Cristóvão (Rua Campos Salles).

Vasco 0 pp; Flamengo 3 pp;  São Cristóvão 7 pp; Fluminense 8 pp;  América 9 pp; Bangu 11 pp; Andarahy e Botafogo 12 pp.

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01/Jul - Vasco 3-2 Botafogo (Laranjeiras). 

01/Jul - América 3-3 Bangu (Rua Campos Salles).

Vasco 0 pp; Flamengo 3 pp;  São Cristóvão 7 pp; Fluminense 8 pp;  América 10 pp; Andarahy e Bangu 12 pp; Botafogo 14 pp.

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08/Jul - Botafogo 1-2 Fluminense (Rua General Severiano). 

08/Jul - São Cristóvão 6-2 Andarahy (Rua Figueira de Mello). 

08/Jul - Vasco 2-3 Flamengo (Laranjeiras).

Vasco 2 pp; Flamengo 3 pp;  São Cristóvão 7 pp; Fluminense 8 pp;  América 10 pp; Bangu 12 pp; Andarahy 14 pp; Botafogo 16 pp.

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14/Jul - Fluminense 2-2 Flamengo (Laranjeiras). 

14/Jul - Botafogo 2-3 São Cristóvão (Rua General Severiano). 

14/Jul - Bangu 2-0 Andarahy (Rua Ferrer).

Vasco 2 pp; Flamengo 4 pp;  São Cristóvão 7 pp; Fluminense 9 pp;  América 10 pp; Bangu 12 pp; Andarahy 16 pp; Botafogo 18 pp.

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22/Jul - São Cristóvão 5-1 Bangu (Rua Figueira de Mello). 

22/Jul - Vasco 2-1 América (Laranjeiras). 

22/Jul - Andarahy 2-2 Fluminense (Rua Prefeito Serzedello Corrêa).

Vasco 2 pp; Flamengo 4 pp;  São Cristóvão 7 pp; Fluminense 10 pp;  América 12 pp; Bangu 14 pp; Andarahy 17 pp; Botafogo 18 pp.

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29/Jul - Fluminense 1-2 Vasco (Laranjeiras).

29/Jul - Bangu 3-3 Flamengo (Rua Ferrer).

Vasco 2 pp; Flamengo 5 pp;  São Cristóvão 7 pp;  América e Fluminense 12 pp; Bangu 15 pp; Andarahy 17 pp; Botafogo 18 pp.

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05/Ago - Fluminense 6-0 Bangu (Laranjeiras). 

05/Ago - Botafogo 1-4 Flamengo (Rua General Severiano). 

05/Ago - América 2-1 Andarahy (Rua Campos Salles).

Vasco 2 pp; Flamengo 5 pp;  São Cristóvão 7 pp; América e Fluminense 12 pp; Bangu 17 pp; Andarahy 19 pp; Botafogo 20 pp.

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12/Ago - Fluminense 3-1 América (Laranjeiras). 

12/Ago - Andarahy 3-2 Flamengo (Rua Pref. Serzedello Corrêa). 

12/Ago - Vasco 3-2 São Cristóvão (Rua General Severiano).

Vasco 2 pp; Flamengo 7 pp;  São Cristóvão 9 pp; Fluminense 12 pp;  América 14 pp; Bangu 17 pp; Andarahy 19 pp; Botafogo 20 pp.

Vasco campeão da Série A da Primeira Divisão.

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19/Ago - Flamengo 2-1 São Cristóvão (Rua Paysandu). 

19/Ago - Botafogo 0-1 América (Rua General Severiano). 

19/Ago - Bangu 2-2 Vasco (Rua Ferrer).

Vasco 3 pp; Flamengo 7 pp;  São Cristóvão 11 pp; Fluminense 12 pp;  América 14 pp; Bangu 18 pp; Andarahy 19 pp; Botafogo 22 pp.

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26/Ago - Fluminense 0-1 São Cristóvão (Laranjeiras). 

26/Ago - Flamengo 1-3 América (Rua Paysandu). 

26/Ago - Andarahy WO Botafogo (Rua Pref. Serzedello Corrêa).

Vasco 3 pp; Flamengo 9 pp;  São Cristóvão 11 pp; América e Fluminense 14 pp; Bangu 18 pp; Andarahy 19 pp; Botafogo 24 pp.

(1) assinalado o ponto do empate contra o Andaray para o São Cristóvão.

(2) assinalado o ponto do empate contra o Andarahy para o América.

(3) assinalado o ponto do empate contra o Andarahy para o Vasco.

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Nossos agradecimentos aos amigos Alexandre Mesquita e Fernando Matta cuja fonte de amor histórico ao nosso clube é interminável, propiciando este artigo.

domingo, 31 de dezembro de 2017

AOS DESPORTISTAS DO BRASIL, OS VASCAÍNOS DESEJAM UM FELIZ ANO NOVO!






Quando o mundo estava em guerra, realizava-se ao fim de cada ano a final do campeonato brasileiro de seleções estaduais.

Era uma dessas finais entre Rio e São Paulo, disputada na nossa casa, São Januário, e a fidalguia vascaína prevalecia acima de qualquer rivalidade.
Assim como nossos antepassados faziam, Memória Vascaína deseja a todos um FELIZ ANO NOVO!


foto: acervo pessoal
*30/12/1943 - Ao lado da faixa vascaína o presidente da FMF, Vargas Neto - Distrito Federal 2 X 1 São Paulo
**Nossos agradecimentos ao amigo Fernando Matta, da NetVasco, na identificação da data da foto

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

HÁ 80 ANOS FOI CRIADO OFICIALMENTE O UNIFORME BRANCO DO VASCO


O VERÃO E OS JOGOS NOTURNOS MOTIVARAM A CRIAÇÃO DO SEGUNDO UNIFORME



O Jornal - 18 de janeiro de 1938


Corria o ano de 1937, ano da pacificação do futebol carioca e da unificação sob uma mesma entidade, a Liga de Football do Rio de Janeiro (LFRJ) que passou a agregar todos os clubes cariocas na prática do futebol profissional.

Da união criou-se o novo campeonato de futebol de 1937 que se iniciou tardiamente em outubro daquele mesmo ano e avançou até o mês de janeiro de 1938, em pleno verão escaldante.

Para amenizar-se a situação, a LFRJ designou jogos noturnos para o horário das 21 horas, inclusive aos domingos.

O fato da baixa reflexão da cor negra sob os refletores de antigamente, bem como a excessiva concentração de calor do verão sob a camisa negra, eram preocupações de dirigentes quanto ao desgaste dos jogadores.

Naquele tempo a diretoria do Vasco tinha ciência que a camisa negra do Departamento de Desportos Terrestres propiciava a retenção de calor no corpo do atleta. Tanto que nos esportes olímpicos já se adotava como uniforme uma camiseta branca com duas finas faixas pretas horizontais, tendo o escudo completo no meio do peito.

No futebol, entretanto, a famosa camisa negra permanecia a única titular do scratch vascaíno, até que surgiu a questão dos excessivos jogos noturnos no verão carioca daquele campeonato.

Foi no dia 1.º de dezembro de 1937, na reunião de diretoria em que participaram o Presidente em Exercício Pedro Novaes, o 3.º Vice-Presidente Cyro Aranha, o Sub-Diretor Social Ismael de Souza, o Diretor de Desportos Terrestres Claudionor Correa (Bolão - campeão de 1923), o 2.º Procurador Rubens Esposel Pinto dentre outros, que se bateu o martelo.

Ao final da ordem do dia o 2.º procurador pediu a palavra abordando o assunto "referente ao uso de um 2.º uniforme para jogos noturnos, em caso de emergência propõe que seja adotado o seguinte uniforme: calção branco, camisa branca com faixa preta em diagonal e a cruz de malta ao peito. O Sr. Presidente põe em discussão a proposta apresentada pelo 2.º Procurador, estabelecendo-se acalorada discussão sobre o assunto, finda a qual é a proposta aprovada." (Ata da Reunião de Diretoria - 1.º de dezembro de 1937)

A camisa branca nada mais é do que a inversão da camisa de honra do Vasco - negra com faixa a tiracolo branca - originária do remo, estabelecida ainda no século XIX, em 16 de julho de 1899.

Assim foi criado oficialmente o uniforme noturno de verão que estrearia logo a seguir num domingo à noite, às 21 horas do dia 16 de janeiro de 1938, na vitória contra o Bonsucesso por 4 a 1, cujo branco da nova camisa se refletiu brilhantemente sob os refletores do primeiro estádio a possuir iluminação noturna no Brasil, o Stadium Vasco da Gama!



terça-feira, 26 de setembro de 2017

O QUADRO DE HONRA DOS CAMPEÕES DO CAMPEONATO RIO DE JANEIRO DE 1921




Patrão: Antonio Gammaro; voga: Julio da Motta e Silva; sota-voga: Adão Antonio Brandão; contra-voga: Victorino Carneiro; 1º centro: Carlos da Silva Borda; 2º centro: Ovidio Pinheiro Ferreira; contra-proa Francisco Fernandes Ribeiro; sota-proa: Joaquim Gonçalves Amorim; proa: José Carvalho Magalhães



Vascainidades:


A VITÓRIA DA GUARNIÇÃO DA PEREIRA PASSOS, A 14 DE AGOSTO DE 1921

10.º páreo - 2.000 metros - "Campeonato de Remadores do Rio de Janeiro" - Yoles-franches a 8 remos - Aberto a todas as classes de remadores - Prêmios Challenge "En Avant", de Boffil, diploma de campeão e de medalha de ouro ao club vencedor, medalhas de ouro à guarnição vencedora. (O Imparcial - 15 de agosto de 1921)


A medalha de ouro



A NOTA JORNALÍSTICA

"A brilhante vitória conquistada domingo último, na encantadora enseada de Botafogo, pela valorosa guarnição da "Pereira Passos", a legendaria yole do Club de Regatas Vasco da Gama, na prova máxima do "rowing" carioca - Campeonato Rio de Janeiro, é ainda hoje, assunto forçado nas rodas esportivas.

A coragem, força de vontade, energia sempre notada no valente conjunto vascaíno, desde as primeiras remadas, ao ser iniciada a grande luta, que bem podemos julgar, a luta dos gigantes, ao final aclamado seu vencedor, serve bem para demonstrar a fama que goza nos meios esportivos o glorioso pavilhão da Cruz de Malta.

A manifestação de que foram alvo os nove tripulantes da "Pereira Passos", valeu bem por meio da grande apoteose, que por sinal, se fizeram merecedores.

Vencendo sobre conjuntos reconhecidamente de grande valor, maior torna-se ainda a vitoria conquistada.

Triunfo como este, soube obter o Vasco da Gama, só serve para tornar mais em evidência os dotes imprescindíveis à alma de quem se dedica às lutas marinhas, posto que "remar é robustecer o organismo, criar energias sãs, tornando corpo esbelto, o caráter firme, a alma nobre".

Registrando o fato acima, é, para nós, grande satisfação, reproduzirmos aqui, nestas colunas, o que a seu respeito dissemos em data de 25 de setembro de 1905, quando a legendária "Procellaria" conseguiu, para o seu pavilhão a excelsa gloria de triunfar no importante prova.

Como há 16 anos atrás, o Club de Regatas Vasco da Gama soube conquistar a administração geral da população delirante, em aclamações ao seu brilhante feito." (O Paiz - 18 de agosto de 1921)



O ALMOÇO OFERECIDO PELA DIRETORIA








CABOCLO, O VOGA

Julio da Motta e Silva, o Caboclo



O HINO

"A Gloriosa guarnição ainda teve para si, a dedicação de um hino especial, de autoria do fervoroso vascaíno João Silva, executada  no pic-nic de janeiro de 1922 na Ilha do Engenho, em comemoração ao campeonato, tendo sido executada por duas Bandas, a da Polícia Militar, e do Centro Republicano Português de José Augusto Prestes, cuja letra é a seguinte:

Mais uma vez ganhamos
Esta grande vitória,
O prêmio conquistamos,
Coube a nós essa glória

Do remo, vencedores
Nós conseguimos ser,
Pois entre os remadores,
Não tinha que haver
Outros competidores

Avante pos, cheios de glórias
Para alcançarmos mais vitórias

Do Nosso Vasco as tradições
Temos que respeitar,
Para que os nossos corações
Possam sempre vibrar.
Somos do mar conhecedores,
Saiba o mundo inteiro;
Pois somos nós os vencedores

Do campeonato Rio de Janeiro!"
(O Paiz - 10 de janeiro de 1922)


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A PRIMEIRA CAMISA NEGRA DO FUTEBOL VASCAÍNO



Há 100 anos realizou-se o primeiro registro fotojornalístico do futebol do Vasco



Vasco da Gama 3 - Boqueirão do Passeio 0, pela 2.ª Divisão do Campeonato Metropolitano
De braços cruzados, o então futuro presidente Jayme Guedes (1945/1946)


UM SÉCULO DE INTEGRAÇÃO RACIAL E SOCIAL NO FUTEBOL

Na primeira semana de setembro de 1917, o semanário Vida Sportiva, publicava o primeiro registro fotojornalístico do futebol do Club de Regatas Vasco da Gama, e um século depois o registro veio a ser resgatado à memória vascaína.

A foto mostra o scratch vascaíno em partida realizada a 2 de setembro de 1917 no campo da rua Campos Sales. O Vasco venceu o naquela oportunidade o Boqueirão do Passeio, seu co-irmão nas regatas, pelo placar de 3 a 0.

Eis a súmula do jogo:

"C.R. Vasco da Gama 3 x 0 C.R. Boqueirão do Passeio

Vasco: Nicolau Rickmann; Jayme Fernandes Guedes, Carlos Cruz, Manuel Antonio Baptista, João Lamego; Eudino Wulbert, Virgilio Pedro Fortes, Sebastiano Bacellar; Amyres Tomassi, Raphael Guerrero e Antonio Silva.

Boqueirão do Passeio: Carlos Ribeiro; Virgilio Fedrighi, Luiz Prior, Jozias da Rocha Campos, Frederico Marinho Lizardo; Izidro Pedro; Benedicto Mesquita, Joaquim José da Silva; Salvador Monteiro, Antonio da Costa Faria e Manuel Furtado de Mendonça.

Juiz: Alfredo Alves da Silva.

Gols do Vasco: Amyres Tomassi (2) e Raphael Guerrero."

Na fotografia, percebe-se logo de início que o Vasco sempre permitiu a integração racial no quadro social e na equipe de futebol, fundamento paradigma pelo qual o clube sempre primou e defendeu no desporto como é de conhecimento público. Ainda mais naquele tempo, em que era requisito estatutário fosse o atleta sócio do clube na prática do esporte amador.


A CAMISA PERDIDA

Os pioneiros camisas negras em dezembro de 1917 (Vida Sportiva)

A camisa negra vascaína sempre foi o uniforme do clube desde a sua filiação à Liga Metropolitana de Sports Athleticos - LMSA, ocorrida em janeiro de 1916, como noticiado no jornal Gazeta de Notícias:

"MAIS UM CLUB QUE SE FILIA Á METROPOLITANA

 Na secretaria da Liga Metropolitana deu entrada hontem á tarde um officio em que o Club de Regatas Vasco da Gama pede filiação águella liga.
 O campo official do Vasco será o do Botafogo F. Club, á rua General Severiano, usando os seus jogadores o seguinte uniforme: calção branco, camisa preta com punho e golla brancos.
 O campeonato da 3.ª divisão será portanto disputado este anno pelos sete seguintes clubs: S. C. Brasil, C. R. Icarahy, Ingá F. C., Paladino F. C., Palmeiras A.C., River F. C. e C. R. Vasco da Gama. ..." (Gazeta de Notícias - 29/01/1916 - grafia original da época)

Em nossas pesquisas, suspeitávamos que nos seus primeiros anos de prática futebolista, o uniforme vascaíno fosse diferente, o que se confirmou com este resgate da iconografia de época.

A principal diferença é a falta da meia carcela branca, pela qual ficou conhecida a segunda camisa negra vascaína, sendo a primeira inteiramente negra, tendo apenas os punhos e colarinho comprido brancos.

Somente em 1918 o Vasco modificou seu uniforme, adotando o estilo com a meia carcela branca ligada ao colarinho como viria a ser conhecida a mais popular versão das camisas negras vascaínas.



*Nossos agradecimentos ao escritor e pesquisador vascaíno, Alexandre Mesquita que nos cedeu gentilmente a súmula da partida Vasco x Boqueirão
** Nossos agradecimentos ao comentarista Carlos, que nos enviou o primeiro registro fotojornalístico da camisa vascaína com a meia carcela em 1918.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

1929 - A FOTO MAIS ANTIGA DA VISTA AÉREA DO STADIUM VASCO DA GAMA





    O complexo esportivo de São Januário com seu entorno original.

   Vê-se o final da rua São Januário com a sua linha de bonde que fizeram o estádio ser conhecido pelo mesmo nome; a rua Bonfim com a entrada única para a arquibancada; a rua Ferreira Araújo, antiga rua Anna; a rua Ricardo Machado especialmente aberta para o entorno; e a rua Gen. Almério de Moura, antiga Abílio.  Ambas as ruas ainda abraçadas pela bucólica colina que envolvia o estádio desde o morro do Pedregulho até a área da atual Barreira do Vasco, antes do seu desmonte parcial para a construção do aterro da Av. Brasil.

  Dessa colina, as famílias dos pioneiros vascaínos faziam picnics para admirar a construção do Gigante da Colina!

*foto: O Malho / retoque digital: Memória Vascaína

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A PIONEIRA EXCURSÃO VASCAÍNA À EUROPA EM FOTOS!


Há 85 anos, a equipe dos Camisas Negras desembarcava no Rio após pioneira e bem sucedida turneé pela Europa




A Vitória do Pioneirismo

Foi do Vasco o privilégio de ser o primeiro clube carioca a excursionar pela Europa. O pioneirismo e a inexperiência não impediram que o clube jogasse com os melhores de Portugal e Espanha, levantando bem alto o nome e o gigantismo do Vasco.

Em terras portuguesas a delegação foi celebrada e homenageada com entusiasmo por onde passou. Destacados jornais abriram espaço em suas colunas esportivas para elogiar o melhor do futebol brasileiro, reverberando a superior qualidade do jogo empreendido pelo Vasco.

Essa iniciativa marcou o início do fim do amadorismo no futebol. Jaguaré, "o Dengoso", e Fausto, "o Maravilha Negra", deixaram o Vasco para jogar profissionalmente pelo Barcelona.

Mostraremos a seguir a síntese e as imagens de mais esta epopeia histórica que só o Club de Regatas Vasco da Gama poderia promover!




A Organização da Comitiva

Sob a presidência do senhor Raul da Silva Campos, a delegação estava assim organizada:

JOGADORES - Jaguaré Bezerra Vasconcelos, Waldemar Sá Couto Guimarães (goleiros); Luiz Gervazoni (Itália), Alfredo Brilhante (zagueiros); Alfredo Tinoco, Fausto dos Santos (o Maravilha Negra), Sebastião Paiva Gomes (Molla), Luiz Ferreira Nesi, Antonio Castro Reis (Rainha) (meio campistas). Daniel Augusto Magdalena (Bahianinho), Carlos Paes (84), Moacyr Siqueira de Queiroz (Russinho), João Ghisoni, Mario Mattos, Sebastião Sant'Anna (atacantes); todos do Vasco, além de Fernando Giudicelli, do Fluminense; Nilo Murtinho Braga, Carlos Carvalho Leite e Benedicto de Moraes Menezes, do Botafogo, que integraram a delegação de comum acordo com a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos) - entidade a que estavam filiados os clubes que disputavam o campeonato de futebol amador do Rio de Janeiro.

DIRETORES: Capitão Orlando Eduardo da Silva (diretor técnico); Eduardo da Fonseca Filho (tesoureiro), José da Silva Rocha "Rochinha" e Harry Welfare (treinador).




Resultados dos Jogos Realizados

Espanha - Barcelona - Estádio Las Corts
28/06/1931 - Barcelona 3 x 2 Vasco da Gama (Nilo e Carvalho Leite)
29/06/1931 - Barcelona 1 x 2 Vasco da Gama (Carvalho Leite e Russinho)





Espanha - Vigo - Estádio Municipal de Balaídos
05/07/1931 - Celta 2 x 1 Vasco da Gama (Russinho)
07/07/1931 - Celta 1 x 7 Vasco da Gama (Bahianinho - 3 gols, Russinho, Nilo - 2 gols, e Mario Mattos)




Portugal - Lisboa - Estádio do Lumiar
12/07/1931 - Benfica 0 x 5 Vasco da Gama (Mario Mattos - 2 gols,  Russinho - 2 gols e Nilo)

Portugal - Lisboa - Campo das Amoreiras
15/07/1931 - Combinado Benfica, Vitória e Casa Pia 2 x 4 Vasco da Gama (Russinho - 3 gols, e Nilo)




Portugal - Porto -  Estádio do Amial
22/07/1931 - Porto 1 x 3 Vasco da Gama (Russinho, Carvalho Leite e Nilo)
26/07/1931 - Porto 2 x 1 Vasco da Gama (Carvalho Leite)



Portugal - Lisboa - Campo das Amoreiras
30/07/1931 - Vitória 1 x 1 Vasco da Gama (Carvalho Leite)

Portugal - Lisboa - Campo Grande
02/08/1931 - Sporting 1 x 4 Vasco da Gama (Nilo - 2 gols, Carvalho Leite e Ghisoni)

Ainda em meio a festas e homenagens proporcionadas pelos portugueses nas localidades por onde a delegação passou, tiveram especial aspecto as exibições ocorridas em Ovar e Póvoa de Varzim, justamente terras dos ex-presidentes Francisco Marques da Silva e Raul da Silva Campos, onde o Vasco aplicou as seguintes goleadas: 9 a 2 contra o combinado dos Poveiros-Boa Vista (22/07/1931) - gols de Tinoco (3), Benedicto (3), Santa'Anna (2) e Fernando; e 6 a 2 contra a Associação Ovarense (24/07/1931), gols de Russinho (3), Nilo, Bahianinho, Carvalho Leite.



No total de 12 partidas, o Vasco obteve 8 vitórias; 1 empate e 3 derrotas, somando 45 gols pró e 18 contra.


O Desembarque e a Exibição Cinematográfica da Excursão

No dia 16 de agosto de 1931, a delegação vascaína desembarcava no Cais Mauá pelo mesmo navio em que viajou para a Europa, o Arlanza. Milhares de vascaínos foram recepcionar a equipe que tanto sucesso teve em solo estrangeiro. 








A envergadura de tal feito e o enorme interesse proporcionou a realização do cine-noticiário da excursão, que registrou todos os jogos realizados pelo Vasco, sendo exibido no cinema Eldorado!




*Imagens fotográficas gentilmente cedidas por José Augusto Campos
Registro jornalístico Diário de Notícias e Correio da Manhã (acervo da Biblioteca Nacional)

Texto: Henrique Hübner
Diretor do Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama

quinta-feira, 28 de abril de 2016

HÁ 73 ANOS, FUTEBOL DO VASCO VESTIA-SE COM O SEU UNIFORME DE HONRA



Jornal "A Noite" de 29 de abril de 1943 destacou o 4.º gol vascaíno
assinalado por Isaias, à vista do goleiro Oberdam


Foi no dia 28 de abril de 1943 que se deu o primeiro registro fotojornalístico da camisa do remo no futebol do Vasco, negra com sua tradicional faixa a tiracolo branca.

Com ela o Vasco venceu o Palmeiras por 5 a 4 em pleno Pacaembu! Em junho de 1943, ainda a envergou mais uma vez, contra o São Paulo, antes da oficialização perante a FMF.


Jornal "A Noite" de 6 de junho de 1943


Criada em 16 de julho de 1899, os atletas do remo somente podiam vesti-la nas regatas oficiais ou então para os "quadros de honra" dos campeões.

Em 1943, o comando do clube estava em mãos do grande presidente Cyro Aranha, e a direção técnica do futebol sob o controle do uruguaio Ondino Viera. Iniciava-se a "Era do Expresso da Vitória".


Ondino Viera, sob a social do Estádio Vasco da Gama - 1945 (revista O Cruzeiro)


Quando assumiu, Ondino estabeleceu, juntamente com o comando do clube, que o Vasco passaria a usar preferencialmente o uniforme noturno de verão, a conhecida camisa branca com faixa a tiracolo negra, criada em dezembro de 1937:

 "... quando, levado por motivos reais, obtive permissão da diretoria, para alterar o uniforme, mais de uma pessoa me disse que, agora sim, se podia confiar. Ora, eu mudei a cor da camisa por um motivo real, palpável e não psicológico. Vivemos num clima tropical... a roupa escura absorve mais e concentra raios solares, predispondo o organismo a maiores cansaços, em face do calor. Foi considerada a questão, de fundamental importância, que pleitei e obtive a alteração do uniforme do Vasco. Nada de superstição..." (Ondino Vieira em entrevista para o jornal "Diário da Noite" de 10 de julho de 1944)

O propósito era óbvio, evitar o desgaste físico dos jogadores sob o sol e o calor tropical de nossa cidade. Era o fim dos "Camisas Negras".

A camisa inteiramente negra em nosso clube - sem a faixa a tiracolo - sempre foi o seu segundo uniforme desde a fundação. Utilizada principalmente nas atividades internas e fora das competições oficiais do remo, teve no futebol lugar destacadíssimo durante os seus primeiros vinte e sete anos.

Ora, não havia sentido abandonar o tradicional negro em favor unicamente do uniforme branco. E como só o vascaíno poderia fazê-lo, elevou oficialmente a camisa de honra das regatas como uniforme titular, após requerimento aprovado junto à Federação Metropolitana de Futebol, a 10 de junho de 1943.


Nota publicada no jornal "Correio de Manhã", de 11 de junho de 1943


Ao "uniforme de honra" do clube estava destinado o maior triunfo internacional do "Expresso da Vitória": A conquista do Campeonato Sul-Americano de 1948!


Vasco perfilado para o hino nacional, momentos antes da partida contra o River Plate, quando conquistaria
de forma invicta o Sul Americano de 1948 no Chile (Revista Vasco)


*Pesquisa e Texto: Equipe do Centro de Memória do Club de Regatas Vasco da Gama