quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O GOL DO TÍTULO DO VASCO NO TORNEIO INÍCIO DE 1929

Festival preliminar foi realizado no Stadium Vasco da Gama




   Por muitos anos as ligas, associações e federações que antecederam a atual FFERJ promoviam festivais que abriam a temporada de futebol, preparatório aos campeonatos. Era o chamado Torneio Initium (Início), realizado em um único dia, em um mesmo campo, e com a participação de vários clubes.

   Os jogos corriam em dois tempos de 10 minutos cada; exceto a final com 30 minutos para cada tempo, em jogos eliminatórios cujo desempate se dava pelo maior número de escanteios quando houvesse igualdade de gols.

   Na foto vemos a final do Torneio Initium promovido no domingo, 31 de março de 1929 em São Januário, no exato momento do gol de Mario Mattos que deu a vitória ao Vasco contra o América por 1 a 0.

   O torneio contou com as equipes do Vasco, Bonsucesso, Andaraí, Botafogo, Flamengo, Fluminense, S. C. Brasil, Bangu, América e São Cristóvão.

   O Vasco jogou a final com Jaguaré, Hespanhol e Italia; Brilhante, Tinoco e Molla; Paschoal, Fausto, Russinho, Mario Mattos e Sant'Anna, substituto de Bahianinho, titular nas partidas anteriores.

   No detalhe podemos registrar para a memória vascaína a já existência da famosa quadra de basquete junto a curva, e que substituiu a primitiva quadra de tênis inaugurada antes mesmo do próprio Stadium Vasco da Gama.

Foto: Careta. Edição, texto, retoque digital: Memória Vascaína

domingo, 23 de novembro de 2014

O ESCOTISMO NO VASCO


Embrião do Departamento Infanto Juvenil foi criado em 1926



Festa de escoteiros em homenagem a São Jorge, comemorando o 6.º aniversário
 da fundação dos escoteiros vascaínos

   Há quem diga que o primitivo grito de "CASACA!" proveio desse grupo juvenil, imediatamente aproveitado e evoluído pela Turma da Praia, antigo grupo político dos remadores da garagem de Santa Luzia.

   Aqui temos os jovens escoteiros vascaínos em homenagem a São Jorge, comemorando o seu 6.º aniversário de fundação no dia 23 de abril de 1932, realizado no mezanino da histórica sede social da rua Santa Luzia.



   Na sala da presidência vemos os troféus do remo, além dos retratos do Comendador Almeida Pinho (presidente), Vasco da Gama (nosso patrono) e Antonio Silva Campos (vice-presidente e irmão de Raul Campos).



    As fotos, como não podiam deixar de ser, registraram o evento para a memória vascaína!

*Foto: Careta - Edição e texto: Memória Vascaína

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O CAMPEÃO CARIOCA INVICTO DE TERRA E MAR DE 1945


NO PRIMEIRO CAMPEONATO CARIOCA DO EXPRESSO DA VITÓRIA, O VASCO TAMBÉM FOI CAMPEÃO NO REMO!



A equipe base do  do Club de Regatas Vasco da Gama que levantou o primeiro de muitos títulos de campeão de futebol do Distrito Federal pela Federação Metropolitana de Futebol


O Jogo das Faixas se transforma na famosa Batalha dos Tijolos!

   A conquista se deu por antecipação a 11/11/1945, após a vitória do Vasco por 4 a 0 contra o Madureira e o empate do Botafogo contra o São Cristóvão em 0 a 0.




   Restava ainda o "jogo das faixas" a que o presidente Cyro Aranha se referiu quando da conquista antecipada: "O Almirante só poderá jogar no estádio da Gávea se entrar na faixa", contra o Flamengo. E assim o foi, convertendo-se a partida na famosa "Batalha dos Tijolos".




   O jogo fora iniciado a 18/11/1945, domingo. Naquela manhã o Vasco já havia se sagrado Campeão de Remo do Rio de Janeiro. A equipe ia sendo vencida por 2 a 0 quando o EXPRESSO DA VITÓRIA reagiu, empatando a peleja.



   Certos da virada vascaína, os "contrários" tramaram melar a vitória que se vislumbrava, tal era a força do Vasco contra o time da Gávea.


   A oportunidade surgiu com a expulsão de Biguá, do clube da Gávea, por um ato anti-desportivo, desencadeando a confusão que envolveu todos os jogadores em campo e a invasão generalizada de dirigentes e torcedores do time da casa, dando início a uma verdadeira batalha de tijolos. Os torcedores do Vasco, diante da evidente trama, entraram em conflito e ambas as torcidas desmontaram o muro que municiou os petardos lançados de lado a lado.

   A partida foi suspensa faltando 19 minutos para o seu término, só se reiniciando dois dias depois no estádio da rua Álvaro Chaves, mantendo-se o resultado e a invencibilidade vascaína no campeonato.

   Estão postados na foto de 18/11/1945 os seguintes campeões devidamente enfaixados: Mario Americo (massagista), Chico, Ademir (Queixada) de Menezes, Ely do Amparo, Isaías, Beracochea, Augusto, Rafanelli, Dino, Santo Cristo, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Ondino Vieira (fora da foto).


*Foto: Jayme de Carvalho - Acervo: AlmanakdoVasco - Imagem digital gentilmente cedida por AlmanakdoVasco - Edição, texto, retoque e arte sobre imagem digital: Memória Vascaína
**foto-jornais: Globo Sportivo, Diário da Manhã e Esporte Ilustrado

domingo, 19 de outubro de 2014

A ARTENA DO C. R. VASCO DA GAMA

Guarnição vascaína conquistou a medalha de prata pela vitória em 1910!






   Em 14 de agosto de 1910, a guarnição junior da canoa a 4 remos "ARTENA" do Club de Regatas Vasco da Gama, conquistou a maior premiação concedida naquela competição, a medalha de prata, sendo vencedora em 1.º lugar do 5.º páreo: os 1 mil metros "Federação dos Clubs de Regatas da Bahia", organizado pela Federação Brasileira das Sociedades de Remo na Regata do Campeonato realizada na Enseada de Botafogo.

   A guarnição era composta por: Ernesto Flores Filho (patrão); Antonio A. Ferreira (voga); João Rodrigues L. de Barros (sota-voga); Manoel de Azevedo (sota-proa); e Avelino Coelho da Silva (proa), vencedora em 1.º lugar do 5.º páreo, os 1 mil metros "Federação dos Clubs de Regatas da Bahia" organizado pela Federação Brasileira das Sociedades de Remo na Regata do Campeonato realizada na Enseada de Botafogo.


* Foto: Careta / Texto, edição e arte: Memória Vascaína

sábado, 18 de outubro de 2014

O SCRATCH VASCAÍNO EM 1935

A equipe do Vasco que serviu de base para a conquista do quinto campeonato entre 1923 e 1936!





   A equipe Club de Regatas Vasco da Gama de 1935 foi vice-campeã daquele ano e serviu de base para a aquela que levantou o seu segundo título de campeão de futebol profissional do Distrito Federal (1934 e 1936), organizado pela Federação Metropolitana de Desportos!

   Foi o quinto título desde o assombro causado pelos camisas negras em 1923.

   A vitória no campeonato de 1936 foi conquistada no antigo Campo do Andarahy, na rua Barão de São Francisco, após uma melhor de três partidas contra o Madureira Athletico Club, com uma vitória para este no primeiro jogo (0 X 1) e duas vitórias seguidas para o Vasco (2 X 1), a última a 14/03/1937, ambas com espetacular participação de Feitiço que passou a integrar o elenco ao final do campeonato, vindo a assinalar os gols decisivos.

   Na foto temos os seguintes jogadores: Oswaldo, Itália, Rey, Brun, Barata, Calocero; Orlando Rosa Pinto (tio de Jair Rosa Pinto), Tião, Kuko, Luiz Carvalho, Nena e Luna.

   Em destaque na foto, Feitiço. Também destacaram-se no certame: Oscarino, Poroto, Panello dentre outros. Técnico Harry Welfare.

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*Acervo, edição, restauração, retoque e arte sobre imagem digital: Memória Vascaína.
**Nosso agradecimento ao "mestre" Mauro Prais que gentilmente elucidou nossa dúvida quanto a presença de Brun (que em março de 1936 se transferira para o Botafogo) e Barata na equipe.
***Para conhecer o trabalho pioneiro de Mauro Prais sobre a história do Vasco na internet, acesse: http://www.netvasco.com.br/mauroprais/vasco/index.html

O CAMPEÃO CARIOCA DE 1929


Na era de ouro do futebol amador, o Vasco já havia se tornado um gigante conquistando seu primeiro título após construir seu Stadium!

 





   A equipe base do Club de Regatas Vasco da Gama, que levantou o título de campeão de futebol do Distrito Federal organizado pela AMEA!

    A vitória foi conquistada no stadium da rua Guanabara (atual rua Pinheiro Machado) em uma melhor de três contra o America Foot-Ball Club, após dois empates (0 X 0 e 1 X 1) e uma espetacular vitória de 5 a 0 no terceiro e último jogo realizado no dia 24/11/1929.

   Na foto temos os seguintes campeões:  Mario Mattos, Carlos Paes (84), Nesi, Jaguaré, Itália, Molla, Bahianinho; Tinoco, Brilhante e Moacyr, popularmente conhecido como Russinho.

   Fora da formação, atrás de Itália: Paschoal.  Integrava também o elenco vascaíno: Fausto, o Maravilha Negra, o maior center-half do país naquele tempo!

   Foto digital gentilmente cedida por Paulo Fernandes - Edição, restauração, retoque e arte sobre imagem digital: Memória Vascaína. Acervo de Fabrício Lobo, sobrinho-neto do zagueiro Itália

sábado, 11 de outubro de 2014

O CAMPEÃO CARIOCA DE 1970

Especial da Revista n.º 1 - Grandes Clubes Brasileiros: VASCO



  Ontem, antes do jogo vencido pelo Vasco contra o Boa, estivemos em São Januário, onde encontramos e conversamos animadamente com nosso amigo Valfrido, o herói que marcou o último gol do Vasco, confirmando o título antecipado de Campeão de 70.

    Em homenagem a Valfrido, publicamos a imagem e as informações daquela equipe, já registradas na memória vascaína.


   A equipe do Club de Regatas Vasco da Gama que levantou o título de campeão de futebol do Estado da Guanabara!
   A vitória conquistada no penúltimo jogo - Vasco 2  - Botafogo 1 - com o heróico Valfrido  marcando o segundo gol  na noite de 17/09/1970, confirmou o campeonato antecipado.
   Na  foto, registrada no jogo do "Bota-Faixa" contra o Fluminense em 20/09/1970, estão postados os seguintes campeões, em pé: Andrada, Alcir Portela, René, Moacir, Eberval, Fidélis e Tim (técnico); agachados: Pai Santana (massagista), Luis Carlos, Ferreira, Bougleux, Silva, Valfrido e Gilson Nunes.

   Foto: Rio Gráfica Editora - Edição, scaner, retoque e arte sobre recorte: Memória Vascaína Acervo: José Luiz Mano - Grande Benemérito do C. R. Vasco da Gama

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

TIJUCANO SIM SENHOR - O CAMPO DA RUA BARÃO DE ITAPAGIPE

Em 1920, o Vasco teve seu primeiro campo de futebol na rua Barão de Itapagipe, n.º 119




   No inicio do ano de 1920, o Vasco da Gama alugou o campo que fora do Atlas F. C., sendo proprietária a Baronesa de Mesquita. Situado no então n.º 119 da rua Barão de Itapagipe, no terreno hoje se ergue o Hospital da Aeronáutica.

   No início de março de 1922 o Vasco comunicava à Liga Metropolitana o local de seu novo campo à rua Morais e Silva, também situado no bairro da Tijuca, de onde saímos em 1927 para São Januário.

   O vestiário do campo da Barão de Itapagipe era "confortável", pois possuía um chuveiro de água "quente" pelo processo mais simples, a caixa d'água, mandada construir pelo Vasco, ficava exposta ao sol.  Quando não havia sol, o banho era com água fria.

   A fotografia que aqui vemos para a memória vascaína foi tirada ainda no ano de 1921, depois de uma "pelada" entre os associados, de onde o Vasco iniciou sua ascensão vertiginosa para se tornar um Gigante no Futebol!


Vascainidades:

OS TEAMS DO VASCO DA GAMA PREJUDICADOS POR UM "CANDONBLÉ"

  Na praça de sports do Vasco da Gama, sita á rua Barão Itapagipe, existe um predio cujo quintal dá fundos para o campo do club,

  Acontece que, apesar da rede, a esphera, quando impulsionada por possante kick, vai visitar o quintal desse predio, que tem a sua frente na rua Barão de Sertorio, sendo habitado por um cavalheiro que realiza nelle diverssas sessões espiritas.

  Quando isso acontece, esse senhor desespera-se e, apodera-se da pelota, só a entregando mediante a restituição de 2$ (dois mil réis), e quando não é satisfeita essa exigencia, adeus bola!

  Parece que o grande "medium" considera o balão algum freguez que vai de vidita ao "candomblé", para chamar os "caboclos" tendo, por isso, de correr com os dois da saida, porque a entrada é gratuita.

  No distrito local, para onde já appellou a commissão de sports do Vasco, nada conseguiu, sendo de esperar que a directoria vascaina se entenda com as nossas altas autoridades policiaes, para, assim, resolverem o caso, e não se verem privados os sportsmen do clube de Santa Luzia, dos seus treinos e do preparo da sua principal esquadra.

O Paiz - quarta-feira, 7 de abril de 1920
*grafia original

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A MEDALHA DE CANDIDO JOSÉ DE ARAUJO

Presidente de 1904 ganhou medalha por angariar maior número de sócios em 1903


     Candinho, primeiro presidente negro do Vasco, foi agraciado com uma medalha por haver proposto e angariado o maior número de novos sócios em 1903.



    Em agosto de 1904 foi eleito presidente do clube e preparou o caminho para a conquista do primeiro campeonato de remo em 1905, conforme noticiado pela imprensa à época



   A medalha foi conferida no pic-nic de confraternização realizado pelo Vasco na ilha de Paquetá, a 3 de abril de 1904.
"Jornal do Brasil - Segunda-Feira, 4 de abril de 1904
CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA
Pic-nic em Paquetá - Distribuição de medalhas - Programa da festa.

...
Coube egualmente uma medalha de prata ao sr. Candido José de Araújo, por ter proposto maior número de sócios em 1903. ..."


   No detalhe da fotografia, Candido enverga no peito a merecida medalha que simuladamente corresponderia ao conjunto abaixo:



segunda-feira, 21 de abril de 2014

O ANIVERSÁRIO DE INAUGURAÇÃO DO MONUMENTAL!

 

Assim se fez o Stadium Vasco da Gama


   Hoje o majestoso estádio de São Januário completa 87 anos. Originalmente chamado de Stadium Vasco da Gama, seu terreno localizado na antiga "Chacrinha do Imperador" foi adquirido em 1925, e o financiamento para a sua construção se deu através da magnifica campanha financeira realizada entre os sócios do clube, com o lançamento de debêntures lançadas ao mercado para pagamento futuro.

   A motivação para a construção da maior praça esportiva da América Latina surgiu como reação à intolerância e ao preconceito dos cô-irmãos fundadores da AMEA (1924): Fluminense, Botafogo, Flamengo, América e pasmem, inclusive do Bangú.

   O sucesso da empreitada repercutiu sensacionalmente, até que surgiu a reação das elites através da negativa do governo federal para a importação do necessário cimento em setembro de 1926. A imposição foi superada como só o vascaíno sabe fazê-lo.

   O canteiro de obras foi objeto de solenidades, como o lançamento da Pedra Fundamental, a visita da imprensa e de celebridades.

   A expectativa era enorme e dentro do complexo poli-esportivo já havia sido disponibilizada a quadra de tênis, localizada atrás do gol da ferradura, antes mesmo da inauguração.

   A 3 de abril de 1927, o estádio foi abençoado pelo Bispo Dom Mamede.

   Finalmente, a 21 de abril de 1927, com a presença do presidente Washington Luiz, foi inaugurado o Gigante da Colina.

   Para refrescar a memória vascaína e em comemoração à data do aniversário de inauguração, apresentamos o registro iconográfico do maior estádio particular do Rio de Janeiro: o Stadium Vasco da Gama.

   Parabéns Vascaíno!



















sábado, 29 de março de 2014

A PRIMEIRA VITÓRIA CONTRA O CORINTHIANS


Vasco 2 X 1 Corinthians - 14/03/1926



  Há exatos 88 anos, o Vasco enfrentou e ganhou pela primeira vez o matching amistoso contra o Corinthians pelo placard de 2 a 1. Gols de Dininho e Torterolli pelo Vasco.

  O team cruz maltino, envergando a mitológica "camisa negra", feita de louisine negra e fustão branco, atuou com os seguintes cracks: Nelson; Hespanhol e Itália; Rainha, Claudionor e Arthur; Paschoal, Torterolli, Russinho, Tatu e Dininho.

  Naquele domingo, dia 14 de março de 1926, a equipe dos Camisas Negras posou para a câmara mágica dos fotógrafos do passado, cujo registro ficou eternizado na memória vascaína!


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O VASCO NA ILHA DO ENGENHO - 1912


Há exatos 101 anos, comemorava-se a grande conquista do campeonato de remo



En Avant, de Boffil, o troféu recebido pela guarnição da yole Meteoro vencedora do páreo que
 levou o Club de Regatas Vasco da Gama à conquista do Campeonato de Remo de 1912


   Após quase 10 anos, sob a presidência do velho rower Marcilio Telles, retornava o Vasco da Gama à ilha do Engenho em comemoração pela conquista do campeonato de remo de 1912. O motivo para a festa era mais que justificado. O club já era o maior do Brasil, tendo naquele ano conquistado 19 vitórias nas 4 regatas realizadas na temporada esportiva. Além disso, suas guarnições também levantaram o pavilhão cruz-maltino em 17 grandes provas de honra, glorificando para sempre na memória vascaína o nome do Vasco da Gama!


   O convescote foi adiado por duas vezes. A primeira data a 24 de novembro foi transferida em razão do mal tempo. O segundo, designado para 1.º de dezembo, não se realizou em decorrência do luto nacional pelo falecimento da esposa do presidente da república, Hermes da Fonseca. Finalmente, após elaborada organização, o pic-nic foi realizado em 7 de dezembro, domingo.



  Conforme previsto pela comissão organizadora, a barca "Martin Affonso" partiu às 9:30h para a ilha do Engenho com aproximadamente 500 pessoas, entre sócios, atletas, familiares, convidados da federação, dos demais clubes co-irmãos e da imprensa, que fizeram questão de noticiar a realização do evento.




   Da mesma forma que nos anteriores, a comissão organizadora fez-se questão de que todas as etapas fossem contempladas com atividades para entretenimento dos convidados, com a distribuição de brindes e prêmios,  além da participação da banda militar.




   Após o lunch, servido em extensas mesas, realizou-se diversas tarefas da tradicional gincana entre os participantes da festa, saindo vencedor de uma delas o futuro presidente Raul Campos, bem como o então menino José da Silva Rocha (Rochinha), outro futuro presidente e nosso afamado historiador vascaíno, autor da obra Vasco da Gama - Histórico: 1898-1923.




   Às 17 horas da tarde, os vitoriosos vascaínos do campeonato de remo de 1912, retornavam ao Cais Pharoux.

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Vascainidades:

(1) JORNAL DO BRASIL - sexta-feira, 22 de novembro de 1912

ROWING
CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA

  Conforme repetidamente temos annunciado, realiza-se domingo na ilha do Engenho, a festa com que um grupo de associados e directores commemorará as victorias alcançadas por este valoroso centro nautico na estação sportiva deste anno.
  Os socios e convidados do Club Vasco da Gama serão transportados para a ilha do Engenho na barca "Martin Affonso" que zarpará do Caes Pharoux ás 9 horas da manhã.
  O programma organizado foi feito cuidadosamente e promette-nos uma festa brilhante, cuja lembrança perdurará longo tempo nos circulos sportivos.
  Depois de amanhã, dia da festa, publicaremos, além do programma na integra, outras informações interessantes.


(2) JORNAL DO BRASIL - domingo, 24 de novembro de 1912

ROWING
CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA
A FESTA DE HOJE

   Realiza-se hoje o pic-nic que uma comissão de socios deste Club promove em commemoração ás victorias alcançadas durante este anno.  A julgar pela procura de convites, a festa promette ser muito concorrida, não sendo para estranhar que, entre os presentes se note além das commissões de representantes officaes, imprensa, federação e clubs congeneres, também grande numero de famílias e distintos rowingmen.
   A comissão promotora da festa poz o maior cuidado na distribuição dos convites, afim de evitar certos factos muito communs em taes ocasiões, e que sempre acarretam incidentes desagradáveis.
   É assim que constituída a commissão organizadora da festa de hoje na ilha do Engenho:
   Presidente, Marcílio Telles; Secretário, Annibal Peixoto, e Thesoureiro, Claudio Veiga, sendo ainda membros os Srs.: Alberto de Carvalho e Silva, Alfredo Rebello Nunes, Raul da Silva Campos, Affonso Lopes de Oliveira, Seraphim Ribeiro, Francisco Moreira, Antonio Duarte Silva, Antonio Costa e José Maria Pinto Soares.
   O programma a que anteriormente fizemos referência é este:
   1.º numero - Luta de pés, em circulo (na barca), para homens.
   2.º numero - Corridas de saccos (na ilha), para homens.
   3.º numero - Cuidado com casca de ovos (corrida), para senhoritas e senhoras.
   4.º numero - Luta de traccção para crianças.
   5.º numero - Corridas de uma perna para homens.
   6.º numero - Agulhas (destreza), para senhoras e senhoritas.
   7.º numero - Acertar no elephante, para crianças.
   8.º numero - Corridas de tres pernas, para homens.
   9.º numero - Copo d'agua (corrida), para senhoras e senhoritas.
   10.º numero - Apanha de nozes, para crianças.
   11.º numero - Descobril-o no elephante, para homens.
   12.º numero - Cartões postaes, para senhoras e senhoritas.
   13.º numero - Corridas de crianças (em casal).
   14.º numero - Nozes (apanha) para homens.
   15.º numero - Luta de tracção para senhoras e senhoritas.
   16.º numero - Corridas de obstaculos para homens.
   A barca Martin Affonso zarpará do cáes Pharoux, ás 9 horas a. m.
- o -
   A titulo interessante publicamos as seguintes linhas, que dizem com eloquencia dos remadores do Club Vasco da Gama:
   Nas regatas deste anno conqustaram 17 primeiros logares, e 2 segundos, das quaes 8 medalhas de ouro, 9 de prata e 2 de bronze.
   Distribuem-se assim as victorias conquistadas: regata de 7 de Julho, 2 primeiros logares; de 21 de Julho, 5 primeiros logares e 1 segundo; de 25 de Agosto, 5 primeiros logares; de 13 de Outubro, 5 primeiros e 1 segundo.
   Além desrtas victorias, que o Club directamente conquistou, desvemos salientar a bella corrida que fez a "yole" Greenhalgh, tripulada por uma guarnição deste Club e que levantou a grande prova "Campeonato do Brasil", conquistado assim pela F.B.S.R.
   É deveras lisongeiro o resultado obtido pelo homogeneo corpo de remadores do Vasco da Gama, que viu o seu pavilhão triumphar 19 vezes durante as quatro regatas realizadas na estação sportiva deste anno.
  Além de vencedor de 17 grandes provas de honra, o pavilhão alvinegro deste club conta as seguintes victorias de sabida importancia.:
   É vencedor das seguintes provas classicas: "Sul America", em 1904 e 1907, com as yoles Albatroz e Albyon; "Jardim Botanico", em 1904 e 1907, com a yole Albatroz; "Conselho Municipal", com a canôa Aguia, e "Dr. Julio Furtado", em 1912, com a yole Ibis; "Campeonato do Rio de Janeiro", em 1905-1906 e 1912, com as yoles Procellaria e Meteoro.
   A sua guarnição da yole Greenhalg venceu o "Campeonato Brasil", em 1912, representando a Federação Brasileira das Sociedades de Remo.
   É este club que promove a festa de hoje, na ilha do Engenho.


(3) JORNAL DO BRASIL -  segunda-feira, 25 de novembro de 1912

ROWING
C. DE R. VASCO DA GAMA

   Por motivo do máo tempo, não se realizou hontem a grande festa na ilha do Engenho.


(4) CORREIO DA MANHÃ - domingo, 1.º de dezembro de 1912

CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA

  Em virtude do fallecimento da Exma. Sra. do Sr. Presidente da República, fica transferida para 8 de dezembro p. f. a festa que devia realisar-se hoje na Ilha do Engenho

A Comissão


(5) O IMPARCIAL, segunda-feira, 9 de dezembro de 1912

ROWING
A GRANDE FESTA DO CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA

   Realizou-se hontem na aprazível ilha do Engenho o pic-nic proporcionado por esse symphatico club aos seus socios, como homengem ás innumeras victorias alcançadas por essa digna sociedade no corrente anno.
   Ás 9 ½ horas da manhã e ponto, partiu do cáes Pharoux a barca "Martin Affonso" conduzindo approximadamente umas 500 pessoas. A viagem foi feita na mais delirante alegria, durante a qual houve dansas ao som de harmoniosa banda de musica.
   Diversas commissões compareceram a esse festejo, conseguindo o nosso representante saber das dos Fenianos, Democraticos, Gragoatá, Boqueirão, Flamengo e a Federação B. das Sociedades do Remo, representada pelo digno presidente Faria Ramos.
   Ás 10 ½ horas atracava a "Martin Affonso" á pitoresca ilha, tendo sido o desembarque feito na maior ordem.
   Conduzindo os convidados para o palacete da sra. viuva Ramos, fizeram ahi um pequeno descanso.
   Em seguida, foi servido em tres extensas mesas, armadas debaixo de copadas mangueiras, farto e saboroso lunch, no meio da mais franca intimidade.
   1.ª prova - "Luta de pés", para homens - Vencedor, sr. Carlos Dias de Carvalho. Premio: guarnição de botões para collete.
   2.ª prova - "Corridas de saccos", para homens - Vencedor, sr. Benjamin Pereira da Cunha. Premio: uma navalha para barba.
   3.ªprova - "Cuidado com as cascas de ovos", para senhoritas. Vencedora, senhorita Florianina Oliveira. Premio: um relogio-pulseira.
   4.ª prova - "Lucta de tracção", para meninos - Vencedor, partido verde, composto dos seguintes meninos: José de Souza Vinagre, José e Alberto da Silva Rocha, João Baptista de Carvalho, Ernani Moreira Val, Mario Parreiras, Humberto Ragoni e Nelson Ramos: metralhadora a cada um.
   5.ª prova - "Corrida de uma perna", para homens - vencedor: o sr. José Pereira Portugal. Premio: um tinteiro de christofle.
   6.ª prova - "Agulhas", para senhoras - Vencedoras: senhoritas Isaura Santos e Adelina Villela. Premios: duas caixas de christofle para pó de arroz.
   7.ª prova - "Corrida de tres pernas", para homens - Vencedores: Raul Campos e Jorge Lopes. Premios: uma caixa de charutos de Havana.
   8.ª prova - "Corrida de obstaculos", para homens - Vencedor: o sr. Albano Pinto da Fonseca. Premio: uma rica estatueta de prata sobre pedestal de onix.
   Prevenidos os convidados da hora do regresso, foi por esse motivo interrompido o vasto programma, deixando-se de se realizar mais oito porvas. Comtudo, procedeu-se ainda a distribuição de innumeros mimos ás senhoritas presentes.
   Ás 5 horas em ponto, fez-se na mesma ordem o reembarque dos excursionistas, trazendo esses os corações cheios de saudades por se verem privados de tão venturoso e allegre momento.
   Durante a viagem, por delicada generosidade do sr. Claudino Veiga, thesoureiro da comissão de festejos, foi aos representantes dos jornaes offerecido o sorteio de uma bengala, "chic" e com castão de prata, e a sorte, como em tudo, deitou seus olhares magnanimos para o nosso collega Alfredo Foord, que de posse do premio lá se foi muito contente.
   Os srs. Marcilio Telles, Francisco Carvalho Silva, Annibal Peixoto e Alberto de Carvalho e Silva, presidente, director de regatas, representante da Federação e membro da commissão de festejos, resctivamente, foram de extrema bondade para com o nosso representante e ás 6 horas dava-se a festa concluida, atracando a barca ao cáes debaixo de salvas e estrepitosos vivas ao sympathico club.


*texto originalmente publicado em 07/12/2013 - 10h37m no semprevasco.com

O VASCO NA ILHA DO ENGENHO - 1903


Candinho e o primeiro registro fotográfico dos Camisas Negras




O retorno à ilha do Engenho

   O ano de 1902 foi particularmente difícil para o Vasco. Não que o club deixasse de crescer, aumentar sua flotilha, arregimentar novos e distintos sócios ou ainda de buscar a merecida glória, mas o fato marcante daquele ano foi o trágico naufrágio da baleeira Vascaína, ocorrido no mês de abril nas águas da baía de Guanabara, cujo mar tragou a vida de quatro de seus doze remadores - os primeiros mártires vascaínos! As festividades daquele ano ficaram restritas às instalações internas. Somente no ano seguinte foi retomado aquele que se tornou um dos maiores eventos sociais do club, o pic-nic na Ilha do Engenho.


Dois pic-nics em abril de 1903

   Segundo o semanário O Malho, publicado em fins de março de 1903, a realização do convescote (piquenique)* estava designado inicialmente para a Ilha do Fundão, que à época era apenas uma das oito pequenas ilhas que futuramente seriam aterradas e interligadas para a construção do atual campus universitário da UFRJ.  Entretanto, o evento social acabou por ser realizado a 5 de abril de 1903 na "pitoresca" ilha do Engenho.

   O pic-nic se deu conforme o esperado e mais, foi a oportunidade de se comemorar as últimas vitórias náuticas sob o comando daquele que viria a se tornar em 1904, o primeiro presidente de honra do clube, Alberto de Carvalho e Silva. Outro haveria de ser realizado no dia 26 de abril, com mais uma malta de sócios do Vasco!

Alberto de Carvalho e Silva
Presidente de 1902 a 1904 e de 1906 a 1907,
um dos notáveis administradores da época da consolidação.

   Esse segundo pic-nic foi devidamente registrado pela imprensa da época, e fez balizar no tempo dois fatos importantíssimos que viriam marcar de forma permanente a memória vascaína: o surgimento daquele que apontou o Vasco como um club verdadeiramente interracial, o futuro presidente Candido José de Araujo; e além disso, o primeiro registro fotográfico dos históricos Camisas Negras, antes mesmo da adoção do futebol.

   A imprensa de então noticiou as festividades e o resultado das competições que se desenvolveram na forma de gincana entre sócios. Como no anterior, o convescote também foi realizado num domingo. O Jornal do Brasil manifestou a simpatia e o sucesso do congraçamento entre vascaínos:

   "Referimo-nos na edição da tarde de hontem ao esplendido passeio maritimo, realizado domingo ultimo, por um alegre grupo de amadores do acreditado Club de Regatas Vasco da Gama.
 
   Noticiando essa intima e encantadora festa procuramos fazer sentidas a doce camaradagem e a esmerada organisação que foram as notas caracteristicas daquelle passeio á ilha do Engenho." (JB, 3 de maio de 1903)".


Candinho e o discurso profético


Candido José de Araujo
Presidente de 1904, 1905 e 1906.
O primeiro vascaíno de cor a presidir o C. R. Vasco da Gama

   Encarregado do pic-nic de 26 de abril de 1903, Candido José de Oliveira despontou como verdeiro e empolgado orador, indicando o obrigatório caminho da união entre os sócios que soergueram às alturas o nome do Club de Regatas Vasco da Gama:

   "... Acabados os exercícios fizeram presentes varias escursões pela ilha, seguindo-se profuso jantar; ao terminar usou da palavra o socio Candido de Araujo (Candinho) o qual concitou os Vascaínos a congregarem-se a fim de collocarem o Vasco da Gama no logar que lhe está destinado..." (Correio da Manhã - 29 de abril de 1903).

   Mulato e escriturário da Central do Brasil, haveria Candinho de se eleger presidente em agosto do ano seguinte, conduzindo e preparando o club para o seu primeiro campeonato em 1905, quebrando em vários sentidos o paradigma elitista dos clubes de regatas da então Federação Brazileira das Sociedades de Remo, o que tornou o Vasco da Gama um verdadeiro club interracial no ano de 1904!

Candinho junto à malta no pic-nic de 26 de abril de 1903


O primeiro registro foto-jornalístico dos Camisas Negras

   Ao contrário do que muitos imaginam, os Camisa Negras não surgiram no Vasco com a criação da seção de futebol em dezembro de 1915.

   Mario Filho, em sua romantização a respeito da fundação do Vasco, publicada na sua coluna "Primeira Fila" do semanário "O Globo Sportivo", esclarece que uma das opções para escolha do uniforme do club seria a camisa inteiramente negra. E de fato esse foi o uniforme escolhido, exceto por um evidente conflito: não era concebível o uso da Cruz de Cristo sobre campo negro, mas somente sobre campo branco.


A bandeira da Ordem Militar de Cristo com sua cruz sobre campo branco
(Preparativos para a festa de Ano Novo na Ilha da Madeira - 1936
 Funchal - Praça João Gonçalves Zarko - A cruz verde representa a Ordem de Avis
Acervo: Universidade de Dresden - Foto: Franz Grasser)


   A solução: uma faixa a tiracolo branca, abotoada no ombro das camisas negras para uso nas regatas oficiais, solenidades de gala e fotografias do quadro de honra!

  Portanto, o C. R. Vasco da Gama já nasceu com seu uniforme oficial negro com a faixa a tiracolo branca, encimada pela Cruz de Cristo encarnada no centro do peito, juntamente com a sua variação interna, a camisa negra.

  Fato é que, excetuado o privilégio do uso obrigatório da faixa a tiracolo, o Vasco da Gama sempre foi Camisa Negra nos torneios internos e demais competições esportivas oficiais anteriores ao futebol, apesar das versões em contrário, inclusive a abraçada oficialmente pelo club, sendo que o primeiro registro fotográfico dos Camisas Negras se deu exatamente no pic-nic na ilha do Engenho, a 26 de abril de 1903.



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Vascainidades:

1) CORREIO DA MANHÃ - segunda-feira, 10 de abril de 1903

CLUB VASCO DA GAMA

   Domingo passado, na pitoresca ilha do Engenho, realizou-se o convescote promovido sob os auspicios de um grupo de associados.
   Á 1 hora da tarde, nas lanchas Ordem e Marechal Bittencourt partiram os numerosos convidados para a bella festa.
   Apezar da forte ressaca, foi alegre a travessia, portando-se galhardamente os dois barcos, que ostentavam nos mastros a flamula do C. V. da Gama.
   Ás 2 horas da tarde, chegados á ilha do Engenho, foi o desembarque effetuado por meio de botes, visto não permitir o pouco fundo, que atracassem as duas embarcações.
   Depois de percorrerem a aprazivel ilha, subdivididos em varios grupos, reuniram-se todos para assistir aos exercicios do programma.
   Do primeiro pareo, corridas de saccos, foi vencedor, apos varios accidentes interessantes o sr. Abel Costa; do 2.º, agilidade, sahiu vencedora a senhorita Marieta Deconto; o sr. Famega venceu o 3.º pareo, corridas de saccos.
   O 4.º pareo, o mais original e interessante de todos, verdadeira prova de agilidade, agudeza de vista e paciencia teve vencedora mme. Freire, sahindo o sr. Guilherme de Azeredo vencedor do 5.ª pareo, agilidade.
   A senhorita Deconto sahiu ainda vencedora na prova Conquista do Polo, terminando o programma com o concurso de tiro ao alvo, vencido pelo sr. Abel Costa.
   Foi em seguida servida lauta mesa de finas iguarias, reinando durante a collação o tradicional enthusiasmo dos vascainos a cujo influxo não podiam escapar os seus convidados.
   Aos vencedores foram distribuidos premios.
   Ás 7 horas da noite separaram-se os socios e convidados do Vasco da Gama, saudosos das horas deliciosas que tão depressa passaram na ilha do Engenho.

2) CORREIO DA MANHÃ - quarta-feira, 29 de abril de 1903

CLUB VASCO DA GAMA

   Não se cansa esta sympathyca sociedade de realizar exercicios para mostrar os progressos feitos pelos seus membros, em varios generos de sport.
   Ainda domingo ultimo grande numero de amadores com suas familias e alguns convidados dirigiram-se, a bordo da lancha Santa Cruz, para a ilha do Engenho, onde no meio da animação geral, realizaram-se os seguintes pareos:
  1.º pareo - Agilidade, para rapazes, 1.ª turma: vencedores srs. Albano Fonseca, em primeiro logar, Herculano Coelho, em segundo;
   2.ª pareo - Agulhas, vencedores: madame Julio Costa, senhorita Gracinda Oliveira e sr. Alberto Duarte.
   3.º pareo - Agilidade, para meninos: em primeiro Arthur Bulhões, segundo Benjamin Correa.
   4.º pareo - Pedestres, sahiu vencedor: primeiro logar, Antonio Baptista e Albano Fonseca, segundo.
   5.º pareo - Conquista do polo, senhorita Maria Laforge.
   6.º pareo - Saccos: primeiro, Albano Fonseca, segundo Plinio Ribeiro.
   7.º pareo - Procura do elephante, sahiu vencedor João de Figueiredo.
   Acabados os exercicios fizeram os presentes varias excurções pela ilha, seguindo-se profuso jantar. ao terminar usou da palavra o socio Candido Araujo (Candinho) o qual concitou os Vascainos a congregarem-se a fim de collocar o Vasco da Gama no logar que lhe está destinado.
   Era noite fechada, quando a Santa Cruz, garbosamente illuminada a giorno, atracou no caes Pharoux, deixando em terra os socios da melhor sociedade nautica e os seus convidados, entre os quaes se contavam o srs. A. Gomes da Costa e familia, Marques de Oliveira e familia, viuva Laforge e filhos, e outros cujos nomes não nos ocorre.

3) Fotos de Alberto de Carvalho e Silva e Candido José de Araujo obtidas da obra de José da Silva Rocha - CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA - HISTÓRICO: 1898-1923 - Gráfica Olímpica Editora Rio - 1975 - p.33

4) O termo "Camisas Negras" surgiu em meados dos anos 30, quando os cronistas esportivos ligados ao futebol passaram a designar dessa forma o scratch vascaíno, o que perdurou até meados de 1943, com a adoção definitiva dos dois atuais uniformes com as cores invertidas e faixa a tiracolo.

*texto originalmente publicado em 02/12/2013 - 03h42m no semprevasco.com

A PRIMEIRA VEZ NA ILHA DO ENGENHO

Em agosto de 1901 dava-se início àquele que seria uma das maiores tradições vascaínas. O "pic-nic" na Ilha do Engenho!



   18 de agosto de 1901 - O Vasco acabava de atravessar a sua segunda crise social. Diversos sócios importantes, inclusive fundadores como José Lopes de Freitas, haviam desertado do club.  No entanto, a fibra vascaína já estava plantada e as primeiras vitórias náuticas de expressão viriam logo a seguir.

   Terminado o mandato de Leandro Martins surge um novo velho nome para soerguer o renovado Vasco.  Retornava ao club Francisco Gonçalves do Couto Junior, o primeiro presidente. Junto com ele, regressava ao berço a sua flotilha. Diversos barcos originários da fundação foram reintegrados. A Voluvel, embarcação detentora da primeira vitória em 1899, estava de volta!

   O Vasco cresce. No seu regresso, o português Couto Junior consegue unir o corpo de associados.  Introduziu iluminação à gás na sede vascaína da Travessa do Maia, defronte ao mar da praia do Boqueirão do Passeio e mais um prédio é alugado na mesma travessa para incremento da garagem. Uma... duas instalações não eram suficientes. A terceira ainda seria alugada na rua Luiz de Vasconcellos.

   Para comemorar o terceiro aniversário do Vasco, nada melhor do que reunir a nata de vascaínos num dos mais importantes eventos sociais da cidade, o pic-nic na Ilha do Engenho.  A ilha, que se localiza do lado oposto da Baía de Guanabara, no município de São Gonçalo, era de propriedade de Henrique Lage, sendo posteriormente repassada à administração do Corpo de Fuzileiros Navais, permanecendo sob a tutela da Marinha até hoje. Naquele tempo o acesso era livre. Era possível agendar inclusive a participação de bandas militares para integrar o evento.  Essa época já não existe mais.

   Para que fique registrado na memória vascaína, iremos rememorar numa série de artigos as diversas ocasiões em que os vascaínos se reuniram irmanados alegremente em prol de um objetivo só: o Club de Regatas Vasco da Gama!

   Como não poderia deixar de ser, o evento foi registrado pelas primitivas câmaras fotográficas do Jornal do Brasil, cuja iconografia conseguimos reproduzir do acervo de periódicos da Biblioteca Nacional, a quem agradecemos a cessão.


   As fotos fantásticas não nos deixam mentir, o Vasco nasceu para a glória! Nelas aparecem as guarnições uniformizadas que participara da "regata íntima"; o próprio presidente Couto Junior em meio à malta; e supreendentemente um remador, cuja aparência lembrava muito um dos maiores campeões do remo vascaíno: Joaquim Carneiro Dias, na guarnição da Venus.(3)  Algumas dessas imagens já ilustraram umas poucas publicações sobre a história do Vasco, agora disponibilizadas em melhor resolução e nitidez.

         foto de 1901               Carneiro Dias em 1913  

   Vamos a elas, conforme foram publicadas em 25 de agosto de 1901:

   "CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA. Festejando o terceiro anniversario de sua fundação, este club realizou no ultimo domingo uma bella festa na ilha do Engenho. Tres lanchas levaram os alegres rapazes e seus convidados, bem como uma banda de musica, áquella ilha onde o dia passou-se na maior alegria, sendo, á tarde, effectuada uma regata intima que correu animadissima. Aos vencedores foram distribuidas medalhas de prata e bronze. As gravuras que publicamos representam grupos de socios e convidados que tomaram parte da sympathica festa."


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Vascainidades:

(1) Dentre várias embarcações de Couto Junior que foram reconduzidas ao Vasco, constavam, além da Voluvel, a Venus, a Amphytrite e a Victoria.

(2) Sobre o batismo da canoa Violeta, clique para acessar nosso artigo: "A CANOA VIOLETA E A CRISE SOCIAL VASCAÍNA DE 1901 - A curiosa assembleia presidida pelo delegado"

(3) JORNAL DO BRASIL - TERÇA-FEIRA - 20 DE AGOSTO DE 1901


Rowing
CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA


   Commemorando a data do seu terceiro anniversario, realizou domingo, este Club uma bella festa, na ilha do Engenho.
   Ás 10 ½, largou do Caes Pharoux a lancha Marechal Bittencourt, conduzindo convidados, socios e comboiando as beleeiras e canôas que tomaram parte na regata íntima.
   Á 1 hora e 20 minutos, chegaram á ilha as lanchas Paraná, Ordem e Federal, as duas primeiras conduzindo socios e convidados e a terceira a banda de musica do 2.º batalhão da brigada policial.
   Ás 2 horas da tarde foi dado o signal para o primeiro pareo pela lancha Paraná, a cujo bordo se achavam os srs. Heitor Goffi e Miguel Braz.
   Juizes da sahida, os srs. Ferreira Filho, Frederico Sid e Jayme Mattos; juizes de raia.
   A bordo da lancha Ordem estavam os srs. Sylvestre Camara, Eugenio Reis, Thomaz Montmonrency, juizes de chegada.
   Foi este o resultado:
   Primeiro pareo - 1.000 metros. - Baleeiras a 4 remos. - Medalhas de prata ao primeiro e de bronze ao segundo vencedor.
   Em 1.º logar chegou Væ Victis, patronada pelo sr. Alvaro Barros e tripolada pelos srs. Francisco Lage, Joaquim Campos, Joaquim Cunha e Mario Telles.
   Em 2.º logar Amphitryte, patronada pelo sr. João Jorio e tripolada pelos srs. Bredo de Mello, Francisco Alberto, Manuel Costa e Manuel Marques.
   Em 3.º logar Valva, patronada pelo sr. Oscar Rocha e tripulada pelos srs. Antonio Seixas, Eduardo Soares, Valentim Machado e Raul Monteiro.
   2.º pareo - Canôa a 4 remos. - 1.000 metros. - Medalhas de prata ao primeiro e de bronze ao segundo.
Foi este o mais renhido dos pareos da regata.
   Alcançou o primeiro logar Violeta, patronada pelo sr. Manuel Soares e tripolada pelos srs. Antonio Moreira, Mario Telles, Antonio Taveira e Antonio Martins.
   Em 2.º logar chegou Vespa, patronada pelo sr. João Jorio e tripolada pelos srs. Bredo Mello, Francisco Alberto, Manuel Costa e Manuel Marques.
   Em 3.º logar chegou Venus, patronada pelo sr. José dos Reis e tripolada pelos srs. Lourenço Cordeiro, Joaquim Campos, Francisco Lage e Jayme Alves.
   3.º pareo - Baleeira a 6 remos - 1.000 metros. - Medalhas de prata ao primeiro e de bronze ao segundo.
   Em primeiro logar chegou Vanda, patronado pelo sr. Lourenço Cordeiro e tripolada pelos srs. Antonio Seixas, Eduardo Soares, Antonio Fonseca, Raul Martim, Joaquim Cunha e Antonio Contims.
   Em 2.º chegou Vindicta, patronada pelo sr. Aurelio Martim e tripolada pelos srs. Manuel Soares, João Campos, Valentim Machado, Albino Santos, Euclydes Costa e Francisco Teixeira.
   Em 3.º chegou Vingativa, patronada pelo sr. Arthur Loureiro e tripolada pelos srs. Luiz Carvalho, Carvalho da Silva, José Lage, José Campos, Domingos Ferreira e Francisco Carvalho.
   Ás 3 ½ horas da tarde, terminada a regata, seguiram as guarnições e convidados para o bello parque da ilha, onde o photographo tirou diversos grupos, sendo em seguida offerecido um lauto banquete, sendo ao champagne erguidos calorosos brindes á imprensa e ao sport nautico.
   Ás 6 horas estavam de volta as lanchas, tendo corrido o divertimento de modo a honrar o Club de Regatas Vasco da Gama.

(4) O PAIZ - SEGUNDA-FEIRA, 4 DE MARÇO DE 1901

OS HERÓES DO MAR

   Dois moços associados ao Club de Regatas Vasco da Gama, passeavam hontem pela bahia, quando, de volta de Botafogo, a baleeira Venus, que tripulavam, virou a um movimento feito a bordo, caindo n'agua dois tripulantes.
   Longo tempo empregaram elles para restabelecer a posição do Barco, e luctaram tanto que um delles já se sentia sem forças, ao mesmo tempo que outro começava a perder as esperanças de subir na embarcação, que não supportava o menor peso.
   O facto passou-se ás 5 horas da tarde, na praia do Russell, em frente a um aterro que ali se fez ultimamente, e desse local viram os transeuntes, os moços lutando com o mar, e ouviram gritos de socorro. Nesta ocasião, da casa da viuva Russell, partiu um empregado em direcção ao Club do Flamengo, onde rapidamente contou o ocorrido.
   Promptamente a distincta associação de moços, que tantos beneficios tem feito, destacam um de seus sócios nadadores, o Sr. Vieira de Castro, que partiu a toda pressa para o local e fez seguir, ao mesmo tempo, o barco Tupan remado pelo vigoroso, rowing, Sr. Antonio Souza Costa, auxiliado pelos Srs. Abelardo J. da Silva e Pedro Telles.
   Quando, impellido velozmente pelo pulso do valente remador, chegou o Tupan, que fizera em menos de dez minutos todo o percurso do Flamengo ao Russell, já ali se achava o outro moço que partira a pé, Sr. Vieira Castro, o qual, vendo o perigo que corriam os tripulantes da Venus, se atirou na água, e, com auxílio de uma corda, que passou a embarcação, tendo a extremidade nos dentes, começou, nadando, a rebocar o barco submerso, a cujo casco se pegavam, quasi examines, os socios do Club Vasco da Gama.
   Apezar dos inauditos esforços que empregava o valente nadador, era o seu trabalho pouco efficaz, se bem que o basco se movesse em direção á terra, mas lentamente.
   Já todos que assistiam a esta scena de valentia, começavam a temer pela do sorte dos naufragos e seu salvador.
   Foi nesse momento que chegou o barco remado pelo Sr. Souza Costa, que passou para bordo os dois moços, um dos quaes começava a desfallecer;
   Salvoz e sãos, foram os tripulantes da Venus desembarcados na praia do Russell, de onde seguiram para a casa de pensão que ali ha e onde lhes foram dados reactivos e outros soccorros que careciam.
   Quando melhores do susto e salvos do perigo que correram, os socios do Club Vasco da Gama tiveram verdadeiras e emocionantes phrases de gratidão e reconhecimento para com seus valentes collegas que lhes salvaram a vida.
   A scena dos abraços, após o perigo, foi muito tocante e enterneceu a todos que a assistiram.
   Não podemos fechar esta noticia sem registrar os francos, applausos e manifestar nossa admiração por esses dignos moços, que de todas as maneiras e todos os dias attestam o seu valor e a abnegação que anima pela vida dos seus semenlhantes."


* texto entre aspas na grafia original da época
**texto originalmente publicado em 20/10/2013 - 01h19m no semprevasco.com